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NUNCA NEVA NO MEU ANIVERSÁRIO

Escrito em 2009 👁 482 leituras ≈ 4h 7m de leitura

Ricardo e Sónia partilham uma amizade de vinte e cinco anos, mas com os últimos quinze afastados por rumos de vida diferentes. Amigos desde a infância, sempre foram muito próximos até ao momento em que a Universidade os obrigou a distanciarem-se. Ele foi estudar para o Algarve, ela regressou à sua terra natal, os Açores. Nunca Neva no Meu Aniversário é uma história passada no Faial, quando após quinze anos afastados fisicamente, Ricardo corresponde ao chamado da amiga que atravessa uma situação pessoal muito complicada. Sónia vê o seu casamento acabar e procura o apoio do amigo de sempre. Ricardo nunca esquecera a paixão da adolescência, mas quinze anos longe da amiga tinham transformado todo esse sentimento numa recordação arquivada na memória. No entanto, voltar a estar na sua presença vai reavivar aquilo que parecia estar esquecido. Numa viagem pelo Faial, memórias e sentimentos misturam-se entre duas almas que sempre se entenderam tanto quanto se estranharam. Uma relação próxima que nem a distância conseguiu separar, mas que uma tragédia poderá pôr fim.

Capítulos

Capítulo 1

Capítulo I

Não fosse o momento e o ambiente envolvente poderia ser apreciado com a devida honra. O céu estava azul, o sol brilhava e o mar ao longe parecia calmo. Na minha frente, imponente, o cume da ilha do Pico elevava-se sobre as nuvens, como que espreitando do lado de lá do canal, por cima da mancha urbana da Horta. A brisa fresca, ténue e agra…

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Capítulo 2

Capítulo II

As vozes das pessoas na rua acordaram-me a meio da manhã. A princípio não tivera a noção de onde estava, mas rapidamente me lembrei. Levantei-me sentindo o corpo agradecido pelo descanso. Não havia ninguém em casa. Com total silêncio, pensei que mãe e filha ainda dormissem, mas a porta do seu quarto estava aberta e a cama feita. Após toma…

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Capítulo 3

Capítulo III

Quando alcançámos o ponto mais alto do percurso, reparei no conjunto de antenas que ali haviam sido plantadas. Esta primeira parte do caminho fora a mais dura, uma vez que implicou uma subida algo acentuada. O percurso de contorno da cratera podia ser feito nos dois sentidos, na direcção dos ponteiros do relógio ou ao contrário. Como eu s…

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Capítulo 4

Capítulo IV

A casa dos pais de Sónia situava-se perto da estrada principal e tinha uma vista magnífica para o mar. Entre a estrada e a casa existia espaço suficiente para deixar o carro sem atrapalhar os outros veículos que por ali passassem. Logo que passámos o portão, uma escada fazia o acesso à porta principal da casa, a qual estava envolvida por…

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Capítulo 5

Capítulo V

A minha atenção nas recordações dos momentos passados com Sónia foi quebrada pelas palavras do padre, ao referir o sofrimento da perda de um ente querido. A interrupção das memórias fizera-me voltar à realidade, ao facto de estar presente no funeral que decorria naquela manhã no cemitério da Horta. Olhei para o caixão fechado que aguardav…

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Capítulo 6

Capítulo VI

A manhã do dia seguinte ia bem avançada, quando despertei na cama do meu quarto em casa de Sónia. O cansaço pela ida ao Pico fora de tal forma arrasador que dormira toda a noite como um pedregulho. Nesse dia, Sónia concordara em ir auxiliar os colegas nas excursões de turistas para observar golfinhos e baleias no mar alto. Por isso, quand…

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Capítulo 7

Capítulo VII

A conversa na rua estava animada, entre a vizinhança de Sónia. No meu quarto com janela para aquele lado, eu vestia a roupa que iria usar, baseando a escolha nas intensões de passeio para esse dia. Na noite anterior, quando chegámos a casa, Sónia sugeriu que fizéssemos um passeio em volta da ilha para me mostrar alguns sítios interessante…

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Capítulo 8

Capítulo VIII

O parque de estacionamento era recente, pois tinha um desenho preocupado em parecer moderno. Bem diferente era o farol meio enterrado desde a erupção dos Capelinhos. A nossa paragem na praia não se estendera demasiado, o suficiente para um banho e secar ao Sol. Sónia queria que eu conhecesse o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelin…

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Capítulo 9

Capítulo IX

A cerimónia tornou-se demasiado morosa. Não me parece que seja fácil encarar um funeral com simplicidade, mas aquele estava a ser longo. As minhas pernas começavam a fraquejar, pois ainda não estava restabelecido dos problemas físicos resultantes do acidente. A manhã amena, iluminada pelo Sol de Verão, corria com a mesma paz de sempre na…

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Capítulo 10

Capítulo X

Ao acordar, percebi que estava deitado numa cama de hospital. Tinha dores, mas não me pareceu que tivesse qualquer osso partido. Para além dos arranhões, hematomas e escoriações, o sinal mais evidente do acidente era a ligadura á volta do braço, onde um pedaço metálico se espetara e provocara a perda de sangue que levou à minha perca de s…

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Capítulo 11

Capítulo XI

Uma nuvem branca cobriu o Sol, atenuando a sensação de calor e retirando brilho às flores espalhadas um pouco por cada campa. O funeral chegava ao fim e Clarinha recebia o consolo da tia, irmã do seu pai, que viera acompanhar o irmão ao último descanso. Não quis perturbar o momento partilhado entre elas e aguardei que Clarinha viesse até…

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Capítulo 12

Capítulo XII

A noite estava amena como era habitual. Soprava uma brisa lenta, no momento em que saí do táxi, em frente à casa dos pais de Sónia. O taxista fora muito simpático durante a viagem e procurou fazer assunto para conversar. No entanto, a minha cabeça estava preocupada com outras conversas e não dei muito seguimento ao diálogo. O veículo part…

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Capítulo 13

Capítulo XIII

Quando acordei na manhã da partida, esfreguei os olhos para despertar e vi o telemóvel a piscar com a indicação de mensagem nova. Peguei no aparelho e vi que tinha uma mensagem de Sónia enviada durante a noite, já depois de eu ter ido dormir. Abri-a para ler o seguinte: “Também não deixarei de te amar e tenho esperança de que com o tempo…

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