Livro · 19 capítulos
Completo

DEIXA QUE O AMOR SEJA A TUA ENERGIA

Escrito em 2004 👁 594 leituras ≈ 6h 13m de leitura

O livro conta a história de um jogador de futebol que, após uma grave lesão, se vê afastado dos grandes palcos do desporto rei. Com um fim de carreira prematuro anunciado, ele tem de tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida, ao optar por relançar a sua carreira num clube amador, colocando em causa o grande amor da sua vida. Assim, parte para o interior do país, onde vai conhecer o lado mais pobre e menos mediático do futebol, onde a prática da modalidade é feita por amor. Vai conhecer uma aldeia humilde e a hospitalidade das suas gentes, onde os sonhos poderão não ser só para quando se está a dormir...

Capítulos

Capítulo 1

Capítulo I

Era tão estranho quanto o poderia ser, ver chuva às portas do Verão. As gotas grossas batiam no pára-brisas do carro, esborrachando-se e multiplicando-se em gotinhas pequenas. O calor... esse continuava. Ali estava eu, ao volante, sozinho no interior de um Mégane Coupé vermelho que não era mais que um de muitos veículos parados na ponte V…

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Capítulo 2

Capítulo II

Cansado do trajecto de Alcochete até Alverca, saí dos balneários todo equipado para o treino. O médico do clube veio falar comigo e aconselhou-me a manter o treino condicionado, limitando-me a correr à volta do relvado. Foi o que fiz, aproveitando para continuar as recordações.

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Capítulo 3

Capítulo III

Estava farto de esperar pelo meu empresário. Olhei para a rua e vi que o Sol começava a descer para a linha do horizonte. Jorge apareceu, pouco depois, visivelmente estafado. Sentou-se à minha frente e pediu um café. ─ Tudo bem? ─ perguntei. Jorge abanou a cabeça negativamente. ─ Estive a falar com a direcção do clube. ─ E? ─ Eles não vão…

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Capítulo 4

Capítulo IV

Passara quase um mês, desde o final da época. Nenhum clube surgira interessado em mim, até porque um jornal desportivo tornara público, as fortes possibilidades de eu não voltar a jogar. No emprego, Camila começava a ser pressionada a dar uma resposta à proposta de ir para os Estados Unidos. E ela, por sua vez, pressionava-me a aceitar ac…

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Capítulo 5

Capítulo V

Acordei no quarto de hotel pela manhã, bem cedo. Já ia para o terceiro dia que ali estava, mas ainda não me habituara. Desde que chegara àquela região, passava os dias entre o quarto, andar pela rua ali perto e tomar um café numa pastelaria próxima. Levantei-me e caminhei até à janela para observar a paisagem. Tudo tão calmo e sereno. No…

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Capítulo 6

Capítulo VI

Poderia ser considerado uma loucura, aquilo que G. D. Paúle me pagava por mês, cerca de um terço do que eu recebia no Alverca, mas o suficiente para uns três ordenados dos meus colegas. Eu fora a extravagância de um presidente eufórico por levar a sua equipa, pela primeira vez, aos nacionais. Talvez por isso, não fosse de estranhar a form…

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Capítulo 7

Capítulo VII

A manhã surgiu cinzenta como um manto de fumo lá no alto do céu. O calor era intenso, o que tornava o ar pesado e abafado, apesar do aspecto invernal. A luz que entrava no quarto era diferente, muito devido ao tempo. Parecia que o interior não tinha iluminação e as sombras espalhavam-se mais que o normal. Levantei-me da cama e fui a camba…

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Capítulo 8

Capítulo VIII

Acordei sobressaltado, no Sábado de manhã, pelo barulho dos foguetes da festa da Vila do Mato, a alguns quilómetros dali. Era mesmo por causa dessa festa que o Paúle ia defrontar o Vila do Mato, num amigável nessa tarde. O jogo estava marcado para as cinco da tarde. No entanto, os jogadores deveriam juntar-se no campo do Paúle, cerca de h…

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Capítulo 9

Capítulo IX

Começava a tornar-se normal, haver dias de chuva forte em pleno Julho. Partira de Paúle após o almoço e, devido à chuva, só perto do jantar cheguei a casa dos meus pais. Curiosamente, quando estacionei, o Sol de fim de tarde começou a despontar por entre as nuvens. Toquei à campainha e ouvi a voz da minha mãe perguntar: ─ Quem é? ─ Sou eu…

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Capítulo 10

Capítulo X

Passara um mês e meio, desde que me mudara para a aldeia de Paúle. Aproveitei aquele que seria o último fim-de-semana descansado, para ficar sozinho em casa ao fresco e a ver televisão. No Domingo da semana seguinte, começaria o campeonato. Após aquele humilhante jogo diante do Oliveira do Hospital, fizemos mais dois jogos. Um contra o Ta…

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Capítulo 11

Capítulo XI

Chegara finalmente o dia da estreia no Campeonato Nacional da III Divisão, série C. Normalmente, as provas oficiais têm início na última semana de Agosto. Porém, devido à realização do Europeu no ano seguinte e a necessidade de todas as competições terminarem em tempo útil, fez com que as provas oficiais começassem ligeiramente mais cedo,…

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Capítulo 12

Capítulo XII

Se o primeiro jogo para o campeonato correra bem, o mesmo não se pôde dizer do segundo. A viagem ao terreno do nosso adversário na segunda jornada, saldou-se por expressivos três a zero contra nós. A euforia que se criara à nossa volta, esmoreceu um pouco com aquela derrota. Na primeira semana de Setembro, calhava a festa anual de Paúle.…

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Capítulo 13

Capítulo XIII

Para os adeptos do clube, a vitória fora obra das palavras autoritárias que José Luis supostamente dissera ao intervalo. Oficialmente era assim. Porém, tanto os meus colegas, como as pessoas que lhes eram chegadas, sabiam que fora eu quem os influenciara. O pior era que também José Luis o sabia. E como vingança por isso, colocou-me no ban…

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Capítulo 14

Capítulo XIV

Regressei a Lisboa na véspera de Natal para o funeral de Camila. Quando a sua morte foi confirmada com o fim das buscas, pedi ao presidente do G. D. Paúle algum tempo para me deslocar a Lisboa. Sensibilizado com o que sucedera, Alfredo Carrapiço concedeu-me o tempo que fosse necessário para eu ultrapassar a tragédia e regressar. Augusto e…

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Capítulo 15

Capítulo XV

Em Fevereiro, o frio pareceu dar algumas tréguas. Nunca, na minha vida, passara um Inverno tão rigoroso, habituado que estava ao de Lisboa. Ali, tudo era muito mais frio e invernal. A neve visitara-nos algumas vezes, havendo até alturas em que pensámos ter em risco os nossos jogos em casa. Raquel não viera a Paúle, desde a última vez que…

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Capítulo 16

Capítulo XVI

Dois dias antes do jogo com o Benfica no Estádio da Luz, a comitiva com os jogadores, equipa técnica e dirigentes partiu de Paúle rumo a Lisboa. O silêncio dentro do autocarro que nos levava era avassalador, demonstrativo do nosso estado de espírito. Todos sabíamos que iriamos perder o jogo. A vontade era nem sequer viajar para Lisboa. Co…

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Capítulo 17

Capítulo XVII

Já lá iam umas três semanas, desde a glória da Luz. Os jornais chamaram-me Ivan Pedro, o Terrível, pelo forma como colocara o Benfica fora da Taça. Nos dias seguintes ao jogo, choveram noticias de clubes interessados em mim. Não me deixei iludir, pois Jorge telefonava-me a cada notícia e dizia-me que era mentira, pois ninguém falara com e…

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Capítulo 18

Capítulo XVIII

Nunca imaginei a proporção das consequências da morte de Abílio na população de Paúle. Quase toda a população se deslocara ao cemitério de Midões para o acompanhar nesta sua última viagem. Segundo se conta, após os festejos com a equipa, quando regressava a casa, o carro de Abílio foi abalroado por outro veículo conduzido por um individuo…

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Capítulo 19

Capítulo XIX

O céu permanecia nublado, mas o ambiente era abafado. Vi-me aos pulos na relva, juntamente com os meus colegas, a fazer os exercícios de aquecimento, antes do início da partida. As bancadas tinham uma boa moldura humana. Mais de metade do estádio era composto por adeptos do F. C. Porto. O resto dividia-se entre adeptos do Paúle, gente das…

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