Livro · 31 capítulos
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DANÇANDO NO VIOLINO

Escrito em 2013 👁 758 leituras ≈ 8h 43m de leitura

Adriana Cavaleri é bailarina na Companhia Nacional de Bailado, onde ocupa um papel secundário na nova temporada do Teatro Camões. Desde cedo se conheceu como mulher e teve certezas sobre a sua orientação sexual, a qual sempre envergou com orgulho a partir do momento em que pôde assumi-lo a quem a rodeava. Na adolescência, conhecera Zahra Yamanova, uma rapariga estudante de violino com quem ganha empatia, forma amizade e se apaixona. As duas viveram um namoro secreto de dois anos, até a segunda afastar a primeira por não ter coragem de assumir aquilo que lhe dava prazer. Passados sete anos, Zahra é violinista numa orquestra de sucesso, onde é solista com futuro brilhante na música. E é aí que Adriana a vai reencontrar. Dançando no Violino é uma história de amor intenso, emoções fortes, sensualidade, paixão e erotismo.

Capítulos

Capítulo 1

Capítulo I

A noite invernosa não passava de um prolongamento de uma tarde fria e chuvosa de mais um dia no apogeu do Inverno. Se fosse possível encontrar algum ponto agradável naquele serão, só a ausência da chuva merecia alguma congratulação, pois as nuvens pareciam ter esgotado as reservas durante a manhã e a tarde. Junto ao Centro Cultural de Bel…

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Capítulo 2

Capítulo II

Os músicos da orquestra estavam todos de pé, fazendo vénias de agradecimento à tremenda ovação do público na plateia e camarotes. Leonardo e Adriana não fugiam à regra e aplaudiram com agrado o maravilhoso desempenho. De pé, ao lado do amigo, Adriana aplaudia com os olhos na solista do violino. Zahra Yamanova fora talvez a pessoa que mais…

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Capítulo 3

Capítulo III

O apartamento em Algés estava escuro e num silêncio sinistro. A manhã ia a meio, mas as persianas deixadas fechadas no dia anterior mantinham a claridade do Sol lá fora. O silêncio foi quebrado pelo som de uma chave a entrar na fechadura da porta de casa. A chave rodou duas vezes até a terceira abrir o trinco. Zahra entrou no apartamento…

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Capítulo 4

Capítulo IV

A redação da estação de televisão era um local com pessoas sempre em movimento e em função vinte e quatro horas por dia. Poderia ser mais calmo em alguns horários, mas havia sempre alguém a trabalhar ali. Naquela tarde, a redação estava em pleno funcionamento com os jornalistas em actividade. As secretárias abarrotavam de papéis, os compu…

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Capítulo 5

Capítulo V

A chuva caía com abundancia pelas ruas da capital. No Parque das Nações, junto ao Teatro Camões, Adriana saiu do edifício empunhando o guarda-chuva. Tivera mais uma tarde de ensaios para a peça de bailado e tudo corria como previsto para uma boa estreia dentro de algumas semanas. Ali junto ao rio, algumas pessoas enfrentavam o mau tempo p…

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Capítulo 6

Capítulo VI

Quinta da Asseca, Palmela, Sábado à tarde e o ambiente estava tranquilo. De súbito, saindo pela porta de uma moradia isolada, um jovem correu para a estrada. Vestia de escuro e o capacete escondia-lhe o rosto. Saltou para cima da mota deixada uns metros mais à frente e arrancou como o Diabo a fugir da cruz. O som do motor da mota que dest…

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Capítulo 7

Capítulo VII

Quando Leonardo entrou em sua casa, no Montijo, largou as chaves e o telemóvel e foi tomar um banho. Logo que acordou em casa de Matilde, nessa manhã, confirmou que ela ainda dormia e não perdeu tempo a deixar o apartamento. Aquele banho soube-lhe muito bem, depois de um dia inteiro no meio do tumulto social e uma noite mal dormida num so…

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Capítulo 8

Capítulo VIII

Os dias pareciam terminar cada vez mais tarde, da mesma forma que a Primavera se aproximava para ocupar o lugar do Inverno que naquele ano estava a ser terrivelmente frio. E naquele fim de tarde, apesar de o Sol ter estado presente ao longo do dia, o frio permanecia uma constante. Adriana terminara mais um ensaio da peça de bailado que ir…

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Capítulo 9

Capítulo IX

Desde que saíram da cama até ao instante em que Adriana deixaria o apartamento de Zahra, tudo fora partilhado. Tomaram banho juntas, comeram o pequeno-almoço em conjunto, arranjaram-se ao mesmo tempo e fizeram tudo com ofertas de beijos e palavras carinhosas. A meio da manhã, Adriana estava novamente magnífica com o seu vestido e imponent…

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Capítulo 10

Capítulo X

A noite já caíra sobre a tarde, quando Leonardo deixou o seu apartamento no Montijo. Combinara ir buscar Adriana ao seu apartamento para seguirem juntos até à casa do pianista. Leonardo já atravessara tantas vezes o rio Tejo pela ponte Vasco da Gama que conduzia o seu carro de forma automática. Não conseguia deixar de pensar na amiga sem…

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Capítulo 11

Capítulo XI

A manhã acordara cinzenta e o vento fazia-se sentir com maior intensidade que o costume. Leonardo conduzia o seu carro rumo ao emprego, num estado de espírito em sintonia com a manhã. O dia era de greve geral e isso notou-se logo no maior fluxo de tráfego automóvel no trajecto dele. A condução automática levou-o a perder-se em pensamentos…

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Capítulo 12

Capítulo XII

A chuva caía fraca lá fora, mas muitas gotas ficavam estampadas no vidro do autocarro que circulava pelas ruas da cidade. Lá dentro, Magdalena observava o exterior sem lhe prestar atenção, pois a sua mente vagueava pelo pensamento que mais a atormentava. Desde que partilhara com o namorado que já não era virgem e soubera que ele ainda o e…

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Capítulo 13

Capítulo XIII

Naquela manhã, Leonardo não vira Matilde Leão na estação de televisão, nem mesmo quando foi ao departamento de informação para lhe ser indicada a tarefa daquele dia. Havia combinado com ela que se veriam no trabalho, mas fora uma combinação abstracta feita por duas pessoas que trabalham no mesmo local, não era uma combinação para se encon…

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Capítulo 14

Capítulo XIV

A tarde alentejana apresentava-se bonita, quando Matilde com a ajuda do GPS do carro lá conseguiu encontrar a localidade perdida no meio do nada. Conduzir pelo IP2 foi tranquilo e depois de sair na indicação certa, não foi complicado alcançar o hotel. O lugar parecia uma planície agrícola, onde pequenos edifícios térreos compunham o hotel…

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Capítulo 15

Capítulo XV

As tardes pareciam estar mais compridas, sinal evidente do aproximar da Primavera. A chuva dera tréguas e o frio não estava tão intenso. Adriana olhava para o Tejo tranquilo, junto aos ferros que delimitavam o passadiço ribeirinho, aguardando no local que combinara. A estreia da sua peça de bailado estava cada vez mais próxima e os ensaio…

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Capítulo 16

Capítulo XVI

As férias de Matilde no Alentejo estavam a chegar ao fim. Naquele último dia de estadia no hotel, a jornalista repetiu as actividades dos dias anteriores. O despertar nunca era muito cedo, mas também não demasiado tarde, fazendo-a abandonar a cama a meio da manhã. Tirando os dois primeiros dias, nunca saiu do hotel, uma vez que a última e…

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Capítulo 17

Capítulo XVII

A Primavera estava a dar os primeiros passos daquele ano, o que não garantia que todos os dias fossem bonitos, amenos e radiosos. Aquele estava a ser a antítese disso mesmo, pois as nuvens cobriam o céu e a temperatura não era muito agradável. No espaço onde a orquestra ensaiava, apenas alguns músicos o faziam sob a orientação de um adjun…

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Capítulo 18

Capítulo XVIII

As tardes teimavam em terminar cada vez mais tarde. Os dias primaveris mantiveram-se e o início da noite revelou-se agradável como já não sucedia desde o início do Outono anterior. Leonardo conseguira afastar-se do trabalho mais cedo, pois tinha de regressar a casa no Montijo, para se arranjar, e voltar a Lisboa para ir buscar Matilde a c…

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Capítulo 19

Capítulo XIX

O bailado durou mais de duas horas com direito a um intervalo a meio. José não partilhou com Zahra o tédio que fora para si assistir àquilo. Nunca gostara de bailado e só fora pela possibilidade de observar Adriana num fato justo de ballet durante duas horas sem se preocupar que reparassem nisso. Ao invés disso, ficara tão longe que mal p…

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Capítulo 20

Capítulo XX

Rudolph aguardava sentado na cadeira do seu gabinete. Atrás da secretária parecia observar as prateiras que compunham uma das paredes daquele espaço. O seu rosto estava inexpressivo com o olhar perdido. A sua mente interrogava-se acerca da relação entre Magdalena e Manuel, pois reparara que existia um afastamento notório entre eles, talve…

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Capítulo 21

Capítulo XXI

— Estúpida! Estúpida! Estúpida! — José Norton Vila estava possesso. — Quem te disse que podias usar a gravação? Tu nem a devias ter. O pianista encontrara-se com Magdalena no sítio do costume, a sala pouco visitada ao fundo do corredor de um dos pisos inferiores. Nessa tarde, o maestro Rudolph cancelara o ensaio, alegando uma indisposição…

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Capítulo 22

Capítulo XXII

Ao atravessar a ponte Vasco da Gama, Leonardo desviou o olhar para contemplar o lindo pôr-do-sol junto ao rio Tejo, para lá da ponte 25 de Abril. Ia a caminho de Lisboa para passar o fim-de-semana em casa de Matilde. Aquela semana fora difícil, pois não houvera oportunidade para se verem, depois da maravilhosa noite em que pela primeira v…

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Capítulo 23

Capítulo XXIII

Adriana chorou perdidamente, deitada na cama a soluçar. Nos últimos tempos, parecia-lhe que finalmente iria ser feliz no amor. Finalmente encontrara a mulher certa para partilhar a sua vida e ainda tivera a fortuna de que essa mulher fosse Zahra, o seu grande amor da juventude. No entanto, naquele fim de tarde, Zahra voltara a atingi-la c…

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Capítulo 24

Capítulo XXIV

Lisboa, a cidade das sete colinas que naquela manhã primaveril brilhava ao sabor dos raios solares. As encostas com os seus bairros típicos olhavam o rio a correr lentamente, passando pelas pontes e banhando as zonas ribeirinhas, atravessado aqui e ali por um e outro barco com a missão de ligar ambas as margens. Pelas ruas da capital, as…

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Capítulo 25

Capítulo XXV

A noite caíra trazendo uma surpreendente chuva miudinha. Estivera um clima tão agradável ao longo do dia que nada a fazia prever. Leonardo estava sentado no sofá da sua sala a comer fatias de pizza que comprara no regresso do trabalho. Como típico solteiro a viver sozinho, não tinha vontade nem paciência para cozinhar. Ligara a televisão…

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Capítulo 26

Capítulo XXVI

Os agentes Peixoto e Sarsfield entraram no seu gabinete da Polícia Judiciária, vindos da visita à casa da família de Magdalena. Saúl carregava debaixo do braço o computador portátil que pertencera à jovem para poder ser analisado. O aparelho tinha de ir às mãos dos informáticos da polícia porque continha um acesso vedado com utilizador e…

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Capítulo 27

Capítulo XXVII

“Ainda estás chateada? Gosto de ti! Tenho saudades de estar contigo.” Era a terceira vez em dois dias que Leonardo lhe mandava aquela mensagem. Matilde continuava a ignorá-lo, apesar de o fazer com enorme sofrimento. Na estação de televisão onde Matilde trabalhava, o departamento de informação estava reunido para definir o alinhamento do…

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Capítulo 28

Capítulo XXVIII

A noite primaveril anunciava que os resquícios de Inverno haviam desaparecido, tornando-se mais constante o ambiente ameno e seco. Não voltara a chover e o vento soprava manso, apenas para lembrar que ainda andava por ali. O Teatro Camões estivera com mais uma lotação esgotada, mais uma sala cheia de amantes da cultura e da arte que viam…

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Capítulo 29

Capítulo XXIX

Adriana não dormira quase nada nessa noite. Não conseguia deixar de pensar no que José tentara fazer na noite anterior e lamentava o tipo de homem que a sua eterna amada iria desposar. Zahra saberia que o noivo era tão velhaco? A seu lado, Leonardo dormia tranquilamente. Ela observava-o com ternura, ao mesmo tempo que o ambiente escuro do…

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Capítulo 30

Capítulo XXX

Tinham passado vários dias desde o casamento em Alcobaça. Adriana foi arrancada ao sono pelo toque estridente do seu telemóvel. Abriu os olhos e pegou no aparelho ruidoso, reparando no relógio do quarto, era quase meio-dia. — Olá, Leo! — atendeu, percebendo que o lugar ao lado da sua cama estava vazio, o que não era suposto. — Ui… que voz…

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Capítulo 31

Capítulo XXXI

Zahra nunca teve a ilusão de pensar que o seu casamento seria sinónimo de felicidade, uma vez que jamais a realizaria afectivamente. Porém, nunca duvidou de que seria o melhor caminho para o papel de mulher convencional, trabalhadora e mãe de filhos. E casar com o filho do maestro da sua orquestra, o qual se preparava para ocupar o comand…

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