Livro · 52 capítulos
Completo

AMOR, GLÓRIA E... MUITA AREIA

Escrito em 1997 👁 1 275 leituras ≈ 13h 54m de leitura

Marco é um jovem lisboeta nascido e criado no bairro de Alvalade. Por entre aventuras e desventuras, a sua vida envolve-se num amor que parece ser tudo menos possível. Rafaela surge como um patinho feio, uma atleta em busca da realização de um objectivo. Alguém cuja vida não é fácil e que encontra em Marco um parceiro no desporto, um amigo e um problema quando a sua ligação parece entrar noutros campos. Desenvolvendo-se em múltiplas histórias com muitas personagens e cenários, Amor, Glória e... Muita Areia foi o meu segundo projecto literário. Escrito em 1997, é um romance de 52 capítulos que apaixonou todos o cibernautas que o leram, quando foi colocado online em 2005.

Capítulos

Capítulo 1

Capítulo I

Decorria o ano de 1995, mais precisamente em Maio. Eu, Marco Oliveira, tinha na altura vinte e cinco anos, feitos havia quinze dias. Durante cinco anos, andei na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, a tirar um curso de Ciências do Desporto. Sempre fui um desportista e gostava de participar em competições desp…

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Capítulo 2

Capítulo II

Passaram-se quinze dias, desde aquela noite. Durante esse tempo, eu fizera o exame com êxito e concluíra o curso, como havia previsto. Estávamos no dia em que eu soubera a nota do exame. Na minha memória, a noite com Rafaela era uma simples recordação com tendência a desaparecer. No entanto, desde esse dia nunca mais voltara ao café. Como…

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Capítulo 3

Capítulo III

Na manhã seguinte, fui acordado pelo som do telemóvel a tocar. Ensonado, levantei-me da cama e atendi. Do outro lado da linha, estava uma grande amiga minha, a Guida. Guida estava a telefonar-me da Austrália, onde vivia. — Olá Marco! Tudo bem? — Tudo bem, Guida. E contigo? — Também. Olha, amanhã vou regressar a Portugal. — informou ela. —…

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Capítulo 4

Capítulo IV

O dia que se seguiu, foi daqueles que se mantêm mais frescos na minha memória. Lembro-me como se fosse hoje. Era Sábado, dia 10 de Junho, o que fazia dele feriado por todo o país. Estava um dia muito quente e muitas pessoas aproveitaram para ir à praia, inclusive eu. Não tinha ideias de fazê-lo, mas fui convidado pelo Carlinhos que me tel…

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Capítulo 5

Capítulo V

Hoje, apesar de não ter consumado o amor com Guida, não lhe guardo rancor. Possivelmente, nem tinha resultado e, para além disso, o futuro reservava-me algumas surpresas. No entanto, naquela altura, eu estava tão deprimido que no dia seguinte nem queria sair da cama. Como me deitei às quatro da manhã, só acordei às duas da tarde. Mal abri…

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Capítulo 6

Capítulo VI

No dia que se seguiu, levantei-me cedo e fui com o carro à oficina para que lhe fizessem a revisão. Desloquei-me a uma oficina que ficava numa rua, ao cimo da Avenida do Brasil. Escolhi-a por ter um bom serviço e pessoal muito competente. Quando saí de casa, já os meus pais tinham saído. Enquanto a minha prima continuava a dormir. Como co…

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Capítulo 7

Capítulo VII

Durante a noite, acabei por acordar. Eram 02h10, mas nem por isso deixava de estar calor. Na cama, eu transpirava muito e tinha uma sede incomodativa. Sem sono, levantei-me da cama, vesti uns calções e fui até à cozinha para beber um copo de água. Tirei um copo do armário e enchi-o na torneira do lava-louça. Enquanto bebia a água, fui sur…

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Capítulo 8

Capítulo VIII

O fim-de-semana chegava. Como havia sido combinado, todos nos preparávamos para ir à praia. Levantei-me às 07h30 para ter tempo de me arranjar. Ao sair do quarto, tudo estava em silêncio, pois todos permaneciam a dormir. Fui até à casa de banho, fazer a higiene diária e regressei ao meu quarto para me vestir. Depois de comer qualquer cois…

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Capítulo 9

Capítulo IX

A noite estava muito bonita com uma temperatura amena. A Doca de Alcântara estava cheia de jovens e menos jovens, como sempre. Eu e Mónica chegámos lá às 23h00. Deixei o carro perto da esquadra da polícia e seguimos a pé para a Doca. Caminhámos alguns metros até alcançarmos o café à entrada daquele aglomerado de bares e discotecas. Junto…

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Capítulo 10

Capítulo X

O mês de Julho desse ano foi inesquecível. Nunca na minha vida me sentira como naquela altura. Estava apaixonado, mas incapaz de o confessar à pessoa amada. Passava os dias a pensar nela, acordava a pensar nela e adormecia com ela no pensamento. No entanto, na sua companhia não tinha coragem de lhe confessar esse amor, com medo de ser rej…

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Capítulo 11

Capítulo XI

Quando se está apaixonado e vemos que não somos correspondidos, acabamos por tomar atitudes irreflectidas e completamente desapropriadas. Foi o que aconteceu na manhã que precedeu aquele triste dia. Nos últimos tempos tinha vivido com a ideia de amar e ser amado. Naquele dia, conclui que não era bem assim. Na minha cabeça, tinha cimentado…

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Capítulo 12

Capítulo XII

A partir desse ano, o dia 9 de Julho ficou gravado na minha memória. Tratava-se do dia em que fazia anos a mulher que eu amava. Naquele ano, esse dia calhou a um Domingo, o que dificultou a minha surpresa. Mas, felizmente, a loja de flores a quem eu tinha encomendado o presente, trabalhava ao Domingo. Claro que eu não estava presente, qua…

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Capítulo 13

Capítulo XIII

Cheguei a casa ao fim da tarde. Entrei e fiquei surpreendido por um som estranho proveniente do quarto de Mónica. Conforme o som se repetia, ia percebendo que se tratava de Mónica a gemer e a gritar. Fiquei assustado. Pensei que ela estivesse a sentir-se mal, ou então que alguém tivesse entrado lá em casa e a atacasse. Sem pensar mais, co…

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Capítulo 14

Capítulo XIV

Os torneios de voleibol de praia têm a duração de uma semana, desde a qualificação para o quadro principal até à final. O torneio começava na Terça-Feira com o apuramento, denominado qualifying. Na Quarta-Feira realizar-se-ia a segunda fase do qualifying. Findas estas fases, apuravam-se vários pares que se juntariam ao quadro principal co…

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Capítulo 15

Capítulo XV

No outro dia, voltei a levantar-me cedo. Só o meu ruidoso despertador conseguiu perturbar o meu descanso. Após a rotina matinal, saí de casa e segui ao encontro de Rafaela. O dia estava quente, muito quente mesmo. Mas, o céu estava nublado, o que até era bom, pois não teríamos o Sol a incidir sobre nós durante o jogo. Depois de ir buscar…

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Capítulo 16

Capítulo XVI

No dia seguinte, a meio da manhã, dirigi-me a casa de Bento para o convidar a assistir ao jogo. Não duvidem que chegar às meias-finais de um torneio era difícil. E isso, era motivo de orgulho, ao ponto de convidar alguns amigos para nos apoiarem. No entanto, nem Bento nem Madalena se encontravam em casa, pois tinham ido ao casamento de un…

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Capítulo 17

Capítulo XVII

Na Sexta-Feira seguinte, já com o mês de Julho a terminar, encontrei-me com Rafaela no sítio do costume. Havia três dias que não treinávamos, mas sentia-o como se tivessem sido semanas. Rafaela entrou no carro e cumprimentou-me, como era habitual, mas não se pronunciou sobre os dias que não a vira. Sem querer confrontá-la com perguntas, m…

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Capítulo 18

Capítulo XVIII

A semana que passou não trouxe nada de especial. Rafaela e eu treinávamos diariamente e com grande empenho. No dia 1 de Agosto, começou o torneio de Carcavelos. Devido à boa participação na Caparica, Rafaela e eu ficámos isentos do qualifying e aproveitámos esse dia para mais um treino. No entanto, o segundo dia do qualifying contou com a…

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Capítulo 19

Capítulo XIX

Chegava o dia 8 de Agosto, aquele em que parti para Aveiro. Um dia quente e luminoso com os raios solares a mergulharem sobre o asfalto. Parti às 10h00 e segui rumo a Aveiro pela A1. Uma viagem monótona, já que a paisagem não varia muito. São quilómetros e quilómetros de alcatrão para percorrer. E com os olhos hipnotizados pelo movimento…

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Capítulo 20

Capítulo XX

No Sábado, visitei Rafaela para ver como ela estava. Pensei em telefonar-lhe, mas queria vê-la com os meus olhos e matar as saudades que sentia. À tarde, caminhei pela Avenida de Roma e desviei para a Avenida Estados Unidos da América até chegar ao prédio dela. Toquei à campainha e do intercomunicador veio uma voz feminina, mas que não er…

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Capítulo 21

Capítulo XXI

Sexta-Feira, o dia mais cansativo do torneio. Logo pela manhã, depois de me preparar, bati à porta de Rafaela para saber se também já estava pronta. Rafaela abriu a porta e mostrou-se preparada para o jogo. Porém, mantinha uma certa frieza para comigo. Deixámos o hotel e seguimos para o estádio, sem dialogar nada. Nem uma palavra saiu das…

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Capítulo 22

Capítulo XXII

A viagem demorou cerca de duas horas. E pouco falámos durante esse tempo. Quando chegámos à capital, eu levei-a a casa e, só aí, ela voltou a falar: — Amanhã, voltamos a encontrar-nos para treinar? — Está bem! — concordei eu. Rafaela despediu-se de mim com um beijo fraternal e seguiu para o seu prédio, sem olhar para trás. Depois de entra…

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Capítulo 23

Capítulo XXIII

Passei a noite toda a pensar nas palavras de Rafaela. E cheguei à conclusão de que, se não foi dessa vez que consumámos o que sentíamos, foi porque isso nunca aconteceria. Então, o melhor era esquecer o que sentia e dedicar o meu amor a Marta. Mas, estas coisas pensam-se melhor do que se fazem. Nós não mandamos no coração e muito menos co…

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Capítulo 24

Capítulo XXIV

Domingo, dia 3 de Setembro de 1995. Chegava o dia tão ansiado por mim e por Rafaela. O dia em que se iria conhecer o campeão nacional de voleibol de praia. Logo cedo, acordei, ao lado de Rafaela, com o brilho do Sol que perfurava os cortinados da janela do quarto. Estava tudo silencioso e Rafaela continuava o seu sono, repousando a sua ca…

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Capítulo 25

Capítulo XXV

A festa transferiu-se para o hotel, onde dezenas de pessoas se concentraram para os festejos. Os meus pais vieram ao meu encontro, avisando que tinham de regressar a Lisboa. O dia seguinte era de trabalho, por isso havia que partir cedo. Rafaela e eu despedimo-nos dos amigos que vieram propositadamente de Lisboa para nos ver. Acompanhámo-…

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Capítulo 26

Capítulo XXVI

Nunca senti nada tão forte, como o amor por Rafaela. Não a consegui esquecer e, a cada dia que passava, esse amor era maior. Pensei que estava tudo acabado, mas não queria acreditar. Não concebia o meu futuro sem a presença de Rafaela. No entanto, o que mais me magoava era saber que ela me amava, mas se separara de mim, por ciúmes ridícul…

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Capítulo 27

Capítulo XXVII

Na manhã seguinte, saí de casa bem cedo e fui à procura do tal indivíduo que morava em Chelas. Já não me recordo da morada, mas sei que vivia num terceiro andar de um bloco de apartamentos desse bairro. Toquei à campainha e atendeu-me um indivíduo africano que parecia uma torre, pois devia ter mais de dois metros. Chamava-se José e tinha…

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Capítulo 28

Capítulo XXVIII

Mesmo depois de retornar a casa, não deixei de pensar na mulher que tanto amava. Aquela tarde de Sábado estava a tornar-se demasiado penosa. A partida de Rafaela deixara-me um enorme vazio. Sentia-me só, longe de metade do meu coração. Fiquei muito tempo deitado na cama a recordar os momentos vividos com Rafaela. A absorção dos meus pensa…

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Capítulo 29

Capítulo XXIX

Passaram-se dois dias até que tivéssemos novidades sobre Mónica. Só na Quinta-Feira de manhã, um agente da polícia local nos comunicou o paradeiro da minha prima. A polícia descobriu-a internada num hospital de Bordéus, com um princípio de pneumonia. Eu, acompanhado por Humberto, apressei-me a ir visitá-la ao hospital. Fomos conduzidos at…

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Capítulo 30

Capítulo XXX

Começava um novo dia e uma nova semana. Pela manhã, após abandonar a cama, abri os cortinados da janela e deparei com um dia cinzento que ameaçava chuva. Quando tomava calmamente o meu pequeno-almoço, a campainha da porta tocou. — É o Bento! — avisou a minha mãe, dirigindo a voz para a cozinha. Ao som dos passos seguiu-se o som da voz del…

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Capítulo 31

Capítulo XXXI

Dias mais tarde, no fim-de-semana, eu não saí de casa, pois o dia estava terrivelmente mau. Muita chuva e algum vento, muito pouco convidativos a sair. Sendo assim, permaneci em casa, na companhia de Mónica, a jogar Monopólio. Estávamos sozinhos na sala de jantar, a conviver como amigos e a fingir que nos tratávamos de grandes empresários…

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Capítulo 32

Capítulo XXXII

Na noite seguinte, depois de regressarmos de mais um dia de treino, Marta recebeu um telefonema de Bento a comunicar que nos ia visitar. Marta ficou felicíssima com a notícia. E na manhã seguinte, daquele primeiro dia de Dezembro, lá chegou Bento às Canárias, para passar o fim-de-semana prolongado com Marta. Como fomos buscar Bento ao aer…

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Capítulo 33

Capítulo XXXIII

Assim que chegámos ao hospital, Rafaela foi levada com urgência para a Unidade de Cuidados Intensivos. Durante o trajecto, um dos enfermeiros dissera-me que Rafaela estava viva, mas em estado muito grave. E temia que pudéssemos não chegar ao hospital, a tempo de a salvar. Quando entraram para o bloco operatório, Rafaela ainda estava viva,…

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Capítulo 34

Capítulo XXXIV

Decorreram alguns dias, desde a última vez que vira Rafaela. Todos foram penosos de passar e bastante lentos. Nesse período, não fiz quase nada. Não saía, não falava com ninguém, comia mal e dormia pouco. Todo o tempo era dedicado a pensar em Rafaela e nos bons momentos que vivemos juntos. Mergulhado na depressão, tudo parecia ter perdido…

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Capítulo 35

Capítulo XXXV

Acordei com o ruído da chuva a bater no vidro da janela. Não tive coragem de destapar mais do que a cabeça, uma vez que o frio era muito. Desperto e perfeitamente lúcido, ponderei o meu futuro e as providencias que deveria tomar para realizar o meu desejo. Levantei-me da cama e caminhei até à janela. Abri os cortinados e reparei no ambien…

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Capítulo 36

Capítulo XXXVI

Decorria a tarde de dia 24. Em minha casa, faziam-se os últimos arranjos de Natal para a noite de Consoada. A minha mãe e a minha prima não saiam da cozinha, correndo de um lado para o outro, preparando os doces para a sobremesa. O meu pai arrumava a sala e preparava os lugares na mesa. E eu dava alguma ajuda, até à hora em que fui buscar…

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Capítulo 37

Capítulo XXXVII

Quando estacionei o carro, em frente ao prédio de Liliana, não se avistava ninguém na rua. Liliana olhou para o apartamento dos pais e reparou que não tinha luz. — Os meus pais ainda não chegaram. — disse ela. — Se calhar já estão a dormir. — sugeri eu. — Chegaram e foram deitar-se. — Talvez... Liliana ficou, por momentos, imóvel a observ…

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Capítulo 38

Capítulo XXXVIII

No dia seguinte, levei Rafaela à clínica para fazer os exames que o médico lhe receitara. A consulta estava marcada para as 15h30. E nós chegámos pontualmente. Ao chegarmos à recepção, a recepcionista reconheceu-nos imediatamente e avisou o médico, da nossa presença. Pleno de gentileza, o Dr. Aurélio veio ao nosso encontro. — Então, como…

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Capítulo 39

Capítulo XXXIX

Era o último dia do ano. O passar das horas tornava o novo ano cada vez mais real. As pessoas aguardavam a sua chegada com a expectativa do costume. Faziam-se desejos, pedia-se um ano melhor que o anterior, revia-se o ano que estava a acabar e especulava-se acerca do que estava para chegar. Nos últimos anos, Bento costumava passar o ano e…

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Capítulo 40

Capítulo XL

Uma semana mais tarde, mais precisamente no dia de Reis, acompanhei Rafaela à sua última visita à clínica de recuperação. O Dr. Aurélio comunicou a Rafaela que já não era necessária a utilização das muletas. Rafaela estava bem, fisicamente, e poderia dar início à recuperação da forma física para reiniciar a actividade desportiva. Assim, a…

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Capítulo 41

Capítulo XLI

Na Terça-Feira seguinte, a meio da manhã, a família Greenland deslocou-se a minha casa. Estava uma manhã chuvosa e muito fria. Tanto Guida como Mike vinham bastante agasalhados e traziam Rebecca bem enrolada num quente cobertor. Os meus pais já não estavam em casa, pois era hora de trabalho. Apenas Mónica se encontrava a fazer-me companhi…

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Capítulo 42

Capítulo XLII

Na noite de Sábado, o meu telemóvel tocou, interrompendo a minha leitura de um livro que Bento me emprestara. Ao atender, deparei com a voz doce de Rafaela. — Já estou em Lisboa. — disse ela com alegria. — Estava morta de saudades. — Também eu. — Quando é que nos encontramos? — perguntou ela. Eu olhei para o relógio e disse: — Hoje já é t…

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Capítulo 43

Capítulo XLIII

Na noite que antecedeu a partida, não consegui dormir. Estava nervoso e ansioso com o que estava para vir. Na rua, a chuva caia com abundância e o vento soprava com força. Levantei-me da cama e caminhei pelo quarto, por entre a escuridão. Não quis acender a luz, pois apenas me interessava descontrair. Depois de caminhar um pouco, de um la…

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Capítulo 44

Capítulo XLIV

Na Sexta-Feira de manhã, Rafaela e eu fomos até à praia para mais um treino. Repetimos os exercícios habituais e analisámos a nossa forma física. Estávamos a dois dias do início do campeonato. Quando regressámos ao hotel, aconteceu por casualidade, encontrar o nosso guia Renato. Rafaela parou, temendo um novo confronto entre nós. E eu fiq…

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Capítulo 45

Capítulo XLV

O Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia era constituído por uma primeira fase, onde as dezasseis duplas, englobadas em quatro grupos de quatro, jogariam com os seus parceiros de agrupamento. Nesta primeira fase, o rectângulo de areia do estádio estaria dividido em dois campos, possibilitando a realização de duas partidas em simultâneo.…

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Capítulo 46

Capítulo XLVI

Na manhã seguinte, Rafaela parecia estar melhor. Estava alegre e nem denotava qualquer sinal da indisposição da noite anterior. Manhã cedo, antes de sairmos para o estádio, Rafaela caminhava com naturalidade e não queria falar do que acontecera, de modo a não lhe atribuir importância. Enquanto eu fazia a barba, Rafaela sentou-se à porta d…

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Capítulo 47

Capítulo XLVII

Terça-Feira e terceiro dia de torneio. O dia trouxera um ambiente mais ameno, onde o Sol se escondia atrás das nuvens e com uma manhã menos alegre. Rafaela dormia calmamente a meu lado. Porém, passara a noite indisposta, levantando-se várias vezes da cama para vomitar. O seu estado era estranho, mas ela continuava a não querer ser vista p…

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Capítulo 48

Capítulo XLVIII

Os jogos dos quartos de final do Campeonato do Mundo tiveram início pelas 10h00, com o confronto entre Paulo Roberto e Raquel Carvalhal versus Ruben Castro e Karina Velez de Cuba. E eu e Rafaela lá estávamos na bancada, a assistir ao desafio. O jogo foi muito equilibrado. A réplica dos cubanos aos campeões do mundo foi tanta que despertou…

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Capítulo 49

Capítulo XLIX

Na manhã seguinte, quando acordei, reparei que, mais uma vez, Rafaela se levantara cedo e me deixara sozinho. Se a saída do dia anterior tinha uma justificação, o mesmo não acontecia desta vez. Não compreendia por que motivo ela saíra e me deixara dormindo solitariamente. Levantei-me da cama e segui para a casa de banho para tomar um duch…

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Capítulo 50

Capítulo L

Na manhã seguinte, levantei-me bem cedo, tratei da higiene diária e deixei o quarto que Renato me facultara. Quando passei pela sala, Renato estava sentado no sofá a ler o jornal. — Então? Dormiu bem? — perguntou ele, ao ver-me. — Mal dormi. — disse eu. — Estou preocupado com tudo o que aconteceu. — Pois... E logo com a final já amanhã. —…

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Capítulo 51

Capítulo LI

Sábado, dia 10 de Fevereiro. Chegava o dia da final do Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia de 1996. Nem eu nem Rafaela pensámos que seria possível chegar até aqui, quando nos juntámos para participar nos torneios portugueses da modalidade. Ao longo dos últimos meses, demonstrámos o nosso valor. Já ninguém duvidava das nossas capacida…

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Capítulo 52

Capítulo LII

Passaram-se quase três meses, desde a final do campeonato. E quase um ano, desde o dia em que esta história começou. Em Lisboa, a manhã do dia 3 de Maio estava radiosa, plena de raios solares. E neste dia eu comemorava mais um aniversário. Logo pela manhã, os meus pais felicitaram-me por este dia. Antes de saírem para o emprego, passaram…

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