DANÇANDO NO VIOLINO · Capítulo 21

Capítulo XXI

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— Estúpida! Estúpida! Estúpida! — José Norton Vila estava possesso. — Quem te disse que podias usar a gravação? Tu nem a devias ter.
O pianista encontrara-se com Magdalena no sítio do costume, a sala pouco visitada ao fundo do corredor de um dos pisos inferiores.
Nessa tarde, o maestro Rudolph cancelara o ensaio, alegando uma indisposição. José telefonara a Magdalena para ir ao seu encontro, ali.
— Aquela gravação só existe graças a mim. — retorquiu a rapariga sem demonstrar o mínimo de desconforto pelo tom dele.
— Não tinhas nada que ter feito uma cópia para ti. Devias ter saído depois de… Tu sabes. E eu ia buscar a câmara quando o meu pai se fosse embora.
— E se entretanto ele descobrisse a câmara?
— Isso não iria acontecer.
Magdalena nunca perdia a postura, mesmo com a agressividade dele. Era uma rapariga cheia de confiança e inteligente ao ponto de saber quando os trunfos estavam do seu lado. De braços cruzados sobre o peito, ela encarava o pianista com desafio.
— Mas não tinhas nada que a usar. — insistiu José. — Eu é que sabia quando a deveria usar.
— O tarado do teu pai queria mais. — explicou Magdalena, ripostando o tom agressivo. — E eu não estava para isso. Depois ameaçou que me lixava. Querias que cedesse? — Sorriu com desdém. — Para ti é indiferente.
— Era suposto enviarmos a filmagem de forma anónima. Agora ele sabe quem está por detrás disto. Sabe que foste tu. E não está disposto a ceder o comando da orquestra.
— Isso não me interessa. Só quero o meu lugar na orquestra. E isso está garantido.
— Ó minha cabra estúpida. Não vês que para mim isto acaba por ser em vão?
— Cabra estúpida é a puta que te pariu. — redarguiu ela com raiva.
José deu-lhe um estalo que a fez cair ao chão.
Magdalena levou os dedos aos lábios, julgando estar a sangrar. Porém, não houve ferimento, apenas a dor do impacto. Com enorme frieza, levantou-se e tornou a encarar o pianista com um semblante desafiador.
— Foi em vão? Temos pena. Também não foste tu que tiveste de chupar o velho. — Massajou a face na zona da estalada. — Não ganhas nada com isto, mas também não perdes. Acho eu.
— Como assim? — questionou José.
— Imagina que o teu pai sabe que foste tu que tramaste isto tudo?
— Só sabe se tu lhe contares.
Magdalena ofereceu-lhe um sorriso demoníaco.
— Tu não te atreverias, minha pu…
— É melhor parares com as ofensas. — alertou a jovem num timbre ameaçador. — Não me parece que sejas tu a estar em posição de vantagem, aqui. — Repetiu o sorriso. — Eu fico calada, mas isso tem um preço.
— Que queres? Já não tens o que querias?
— Do teu pai sim. — confirmou com orgulho. — Mas o que está agora em causa é o meu silêncio. E isso depende de ti.
— Tem cuidado, Magdalena, tu não sabes com quem te estás a meter.
A jovem flautista encolheu os ombros.
— Mil euros. Quero mil euros!
— Deves estar parva. Achas que te vou pagar mil euros?
— Isso é contigo. Dou-te uma semana.
Sem dizer mais nada, virou-lhe as costas e foi-se embora.
Sozinho, José sentiu-se encurralado. O pai nunca poderia saber que ele estivera por detrás daquele estratagema para o tentar afastar da orquestra. No entanto, pagar os mil euros não seria solução, pois ele não era ingénuo ao ponto de acreditar que ela se contentaria com isso, uma vez que cedendo a primeira, ela continuaria a pedir mais e mais dinheiro.
Não sabia muito bem como, mas tinha de calar a miúda moldava.
A vida parecia correr cada vez pior. Todos os planos se desmoronavam e, em vez de lhe trazerem vantagem, só aumentavam os problemas.
José olhou para o relógio. Ficara de se encontrar com a noiva nessa noite. Ir ao seu encontro era sempre um motivo de satisfação, mas com a última revelação, juntando o facto de ter sido ela a pedir que ele lá fosse para conversarem, deixavam-no apreensivo.
Zahra dissera que tinha um assunto importante para conversar com ele e não quisera adiantar nada pelo telefone. Normalmente, ele não se preocuparia mais que o normal por isso. Porém, a descoberta da relação da noiva com a bailarina deixavam-no a ponderar diversas hipóteses, entre elas, o fim do noivado.
Sendo assim, teria de estar preparado. E, se possível, antecipar essa situação com algo que a evitasse. Ali sozinho, aproveitou o tempo para engendrar um plano. Mais um que esperava que corresse melhor que os últimos.
Ao equacionar o que era mais importante para Zahra, o argumento ideal surgiu na sua mente. Sim, iria fazer isso, pensou confiante.
Conforme combinado, à hora de jantar, José chegou ao apartamento de Zahra. Ela recebeu-o com um semblante sério, denotando preocupação. A princípio, José não ligou e deu-lhe um beijo nos lábios, dizendo:
— Que saudades, amor.
— Ainda ontem estivemos juntos. — lembrou ela, trazendo-o para o sofá.
— Para mim, um minuto longe de ti já me enche de saudades.
A violinista forçou um sorriso, constatando que nem uma década longe dele a deixaria saudosa da sua presença.
Zahra escolhera aquela noite para finalmente executar o que prometera a Adriana. Chamara o noivo ao seu apartamento para colocar um ponto final na relação e cancelar o matrimónio. Seria complicado e difícil de justificar, mas tinha de ser feito. Por isso, ao sentarem-se no sofá, ela tentou encontrar as melhores palavras para começar.
— Estive a falar com o meu pai. — disse José, antecipando-se ao que quer que fosse que ela tinha para lhe dizer. — Estamos com um problema complicado na orquestra.
— Como assim? — interrogou Zahra, deixando em suspenso aquilo pelo qual o chamara ali.
— Falei com o meu pai esta tarde. Parece que vão afastar uma violinista da orquestra.
— A sério? Quem?
— Ele não me disse.
— Mas porquê? Porque a querem afastar?
José fez um ar consternado e explicou:
— Foram contar-lhe que a rapariga é lésbica. Alguém a viu com a namorada. E, ao que parece, apesar de manter essa relação secreta para nós, ela não tem grandes pudores em se passear com ela, longe da orquestra.
Sem conseguir esconder o rosto preocupado, Zahra insistiu:
— E não sabes quem é?
— Não. Pelo que percebi, quem denunciou o caso ficou de apresentar provas do que dizia e só aí revelar a identidade. O meu pai contou-me que ela não lhe quis dizer, até porque não quer levantar falsos testemunhos sem confirmar a veracidade da denúncia.
Zahra levantou-se do sofá, nervosa, receosa por ser ela a visada da denúncia. Acabou por dizer:
— Também não percebo qual é o mal de termos um elemento homossexual na orquestra. Se calhar nem é o único.
— Discordo, amor. — contrariou ele. — O meu pai diz que isso traz má publicidade para a orquestra. E eu concordo com ele.
— Que disparate. — indignou-se Zahra.
— Não é disparate nenhum. O nosso público-alvo é muito conservador. Não queremos a orquestra falada, por exemplo, porque uma violinista vai casar com outra mulher.
— Continuo a achar isso retrógrado e preconceituoso.
— Até pode ser, mas é assim que o meu pai gere estes assuntos.
— Também, ele despede-a e ela arranja lugar noutra orquestra.
José franziu o rosto.
— Não sei. Já uma vez aconteceu algo assim. Foi muito antes de entrares para a orquestra. O meu pai afastou um flautista por ele ser homossexual e fez com que ele não encontrasse lugar em mais nenhuma orquestra.
— Isso é… — Nem conseguiu encontrar palavras para descrever como estava chocada com aquela postura do futuro sogro. — Não me parece certo, ele fazer isso.
Zahra caminhou nervosa pela sala.
— Estás bem?
— Estou. — confirmou. — Apenas revoltada. — O seu receio pelo seu futuro profissional aumentou de forma desesperante. Tentou recordar quem a poderia ter visto com Adriana que a pudesse denunciar. Não encontrou nada na memória. Talvez não fosse ela. Só que o risco existia e, perante o que o noivo lhe dissera, o risco poderia ter consequências bem graves para a sua carreira. — E sabes quem é que fez a denúncia?
— Não.
— De certeza? — insistiu, pouco convicta que o pai dele não lhe tivesse dito.
José ia a repetir a negação, quando lhe surgiu em mente a possibilidade de arranjar um bode expiatório para aumentar a autenticidade da história que inventara para a noiva. E quem seria essa pessoa? Não faria mal em arranjar uma inimiga a Magdalena.
— Prometes que isto não sai daqui? — pediu ele, baixando o tom de voz como se pudessem estar a ser escutados. Zahra prometeu. — Foi a Magdalena. Foi ela quem viu a outra e foi contar ao meu pai.
— A sério? — questionou Zahra, sem conseguir descobrir onde poderia a outra tê-la visto com Adriana.
— Sabes como é, estas miúdas novas. Viu ali uma forma de tentar ganhar alguma preferência junto do maestro. Se não o provar, também se mete em problemas.
Zahra assentiu. Era possível que a miúda estivesse a passear pelo Parque das Nações, numa das vezes em que fora buscar Adriana. Podia ter tirado uma foto com o telemóvel… Ou então, andava a procurar uma oportunidade para as voltar a ver e tirar uma foto incriminatória.
Esperto, José percebeu que a sua história estava a ter o efeito pretendido. A noiva ficara agastada com o que ouvira. Contudo, fingiu que não reparou.
— E tu? Que me querias falar?
Zahra olhou para ele, meia atordoada. Subitamente, deu conta que já não queria terminar o noivado. Já não queria arriscar-se a prejudicar a carreira pelos momentos com Adriana. Mesmo não tendo que revelar a razão pela qual iria terminar o noivado, não o iria conseguir esconder por muito tempo.
— Então? — insistiu José. — Qual era o assunto?
Sem saber muito bem que assunto usar para substituir o planeado, ela disse:
— Já falamos. Tenho de ir primeiro à casa de banho.
Sem perder tempo, Zahra deslizou pelo apartamento e refugiou se na única divisão da casa com porta. Sentou-se no tampo da sanita e apoiou a cabeça com as mãos, cravando os cotovelos nas pernas.
Fechou os olhos, desesperada com aquele revês. Tanto tempo a ganhar coragem para acabar a relação com José e dedicar o seu amor a Adriana. E quando o consegue, surge aquela história, uma história que vem como um aviso ao seu futuro. Pode ser ela ou não a visada na denúncia. Mas, se não for, quem lhe garante que não possa ser descoberta no futuro?
Nada na sua vida era mais importante que o seu violino e a carreira profissional e de sucesso que fazia com ele. E colocar isso em risco não era opção.
— Estás bem? — gritou José da sala.
— Sim. — respondeu, percebendo que começava a estar ali demasiado tempo.
Levantou-se e puxou o autoclismo para simular que tivera mesmo necessidade de estar ali. Abriu a torneira e lavou as mãos, olhando-se ao espelho. Não tinha dúvidas, era necessário tomar uma atitude drástica. E assim que tivesse oportunidade, tinha de se encontrar com Adriana.
Ao sair, olhou para o noivo e disse:
— Vais achar uma parvoíce, mas queria conversar contigo sobre o casamento.
Por momentos, José pensou que toda a história fora em vão. Bolas, mais um plano gorado? No entanto, o tom tranquilo da noiva não parecia seguir o rumo da rotura do noivado.
— Diz.
— Queria a tua opinião acerca do bolo. Sim, sei que fiquei de tratar disso e dispensei a tua opinião. Mas, estou confusa e gostava que me ajudasses.
— Com todo o gosto, amor.
Nessa noite, Zahra teve de se submeter a algo que julgara já não voltar a ter de suportar. Nessa noite, José partilhou a cama com ela, levando-a a nova representação de orgasmo. Nessa noite, a tristeza que a invadiu foi tanta que sugerira ao noivo uma posição pouco usual entre eles. Nessa noite, quis ficar de joelhos com as mãos apoiadas no colchão, de costas para ele. Nessa noite, ele saciou-se nela com um prazer privado, fazendo de cada investida uma represália pela sua traição. Nessa noite, Zahra simulou o orgasmo e chorou silenciosamente, incapaz de encarar o noivo que não amava. E na tarde seguinte, enfrentou aquilo de que não podia fugir.

Adriana irradiava felicidade, cantarolando no seu apartamento e dançando numa espécie de resumo dos passos que fazia durante o bailado. Estava feliz. O amor da sua vida, Zahra, ficara de terminar o noivado na noite anterior. E a bailarina aguardava a chegada dela a sua casa.
Zahra não lhe quisera dizer nada ao telefone, limitando-se a combinar a ida a casa da bailarina.
O Sol estava forte e a Primavera parecia ter chegado para ficar. Durante o fim-de-semana, não era muito difícil estacionar na rua onde Adriana vivia, daí que a cerca de vinte metros do seu prédio Zahra tivesse conseguido um espaço para o seu automóvel.
Zahra saiu deslumbrante do carro, usando um vestido largo apertado na cintura e com os cabelos ruivos soltos sobre os ombros. A excitação percorria-lhe o corpo com a ansiedade de se envolver com Adriana. Parou junto à porta e tocou à campainha.
Em casa, Adriana carregou no botão para destrancar a porta do prédio. Também ela se sentia ansiosa, não só por fazer amor com Zahra, mas por ter a confirmação do fim do noivado. Ouvindo os passos da amante pelas escadas antigas de madeira, a bailarina despiu as calças de treino que usualmente usava em casa e recebeu-a somente com a camisola larga que lhe chegava a meio das coxas.
As muitas visitas que Zahra fizera a casa de Adriana levaram-na a aprender a subir as escadas calmamente, de forma a não chegar ao quarto andar exausta. Quando trepou o último degrau, viu a bailarina esperá-la com um sorriso apaixonado, mordendo o lábio para aguentar a excitação.
Tinham estado juntas duas noites antes. Zahra ofereceu-lhe o seu sorriso mais carinhoso, interrogando-se como era possível sentir tanta saudade em tão pouco tempo. Aproximou-se e passou pela porta que Adriana fechou logo a seguir.
— Então? — questionou Adriana.
Zahra abraçou-a pela cintura e puxou-a para si, beijando-a com sofreguidão. Adorava aquela mulher, aquele corpo, aquele perfume natural que emanava do seu corpo, aquele peito singelo, aquelas pernas longas bem delineadas.
— Já falamos. — sussurrou-lhe ao ouvido. — Primeiro quero fazer amor contigo.
Adriana delirou. Tão assanhada, isso só poderia significar que tudo correra como planeado e Zahra estava livre para a amar. Deixou-se despir, ficando com as cuecas azuis.
Zahra abraçou a bailarina por trás e acariciou-lhe o peito nu. Deixou-se conduzir para o quarto. Viu Adriana desapertar-lhe o fio à volta da cintura, de forma a libertá-la do vestido. Também ela não trazia nada por baixo, para além das cuecas.
Abraçadas, a beijarem-se numa paixão louca, caíram na cama. Trocaram carícias e despiram-se mutuamente. Os momentos que se seguiram foram de absoluto prazer, temperado com amor e paixão num ambiente ritmado de suspiros e gemidos.
A luz crepuscular invadia o quarto pela janela. As duas amantes recuperavam da intensidade sexual deitadas lado a lado, a olhar o tecto do quarto.
— Ainda não me disseste. — lembrou Adriana, apoiando-se no cotovelo e acariciando a barriga de Zahra.
— O quê?
— Como correu ontem com o…
— Temos de falar nisso? — interrompeu com brusquidão.
O tom surpreendeu Adriana. Por instantes ficou confusa, mas rapidamente percebeu.
— Tu não terminaste o noivado, pois não?
Zahra não respondeu de imediato. Levantou-se da cama e procurou as cuecas no chão.
— Lamento desiludir-te. — pediu, ao encontrar o tecido rendado que vestiu. — Não foi possível.
— Que aconteceu?
— Não quero falar nisso.
A forma de falar de Zahra mudara radicalmente entre antes e após o sexo. Isso levantou várias questões na mente da bailarina. Porém, limitou-se a constatar:
— Lá vou ter de esperar mais algum tempo.
Quase indiferente à amante, Zahra foi buscar o vestido e enfiou-se nele. Arranjou o tecido meio amarrotado e envolveu a cintura com o cinto do mesmo material.
— Já vais, Zahra? Pensei que passasses aqui a noite.
— Lamento ter-te criado falsas esperanças. — retorquiu Zahra num tom vencido.
— Não faz mal. Fica para a próxima. — descansou Adriana.
Zahra olhou-a com um semblante muito sério. O rosto parecia frio, mas o olhar revelava toda a amargura.
— Não haverá próxima vez!
— Que estás tu a dizer? — questionou Adriana, levantando-se e ficando de joelhos sobre a cama. — Estás bem?
— Está tudo acabado entre nós! Não te quero ver mais!
— O quê? — voltou a interrogar a bailarina sem conseguir suster as primeiras lágrimas que lhe surgiram nos olhos. — Não podes estar a falar a sério.
— Estou! — afirmou a outra com uma segurança dolorosa. — Isto foi uma despedida. Não quero voltar a ver-te!
A chorar desesperada, Adriana balbuciou:
— Que fiz eu?
Zahra encolheu os ombros.
— Foi bom enquanto durou. És fenomenal na cama. Irei ter saudades disto. Mas, não te amo. Amo o meu noivo e é com ele que quero ficar o resto da minha vida.
— Não posso acreditar que me estejas a dizer isso. — lamentou por entre o choro compulsivo, soluçando. — Já te esqueceste das coisas que me disseste? As juras de amor? Que querias ficar comigo para sempre?
— Tretas para te fazer sentir feliz. — redarguiu Zahra de forma cortante. — Eu conheço-te, Adriana. Sei o que gostas de ouvir.
— Como pudeste ser tão cruel?
— Não quero continuar esta discussão. Daqui a alguns dias vou casar e não quero voltar a cruzar-me contigo. Espero que respeites isso.
— É a segunda vez que me abandonas. E és sempre tão cruel.
— Descansa. Não haverá uma terceira.
— Eu amo-te!
Zahra encolheu os ombros.
— Adeus!
Com os olhos inundados pelas lágrimas que desenhavam rastos no seu rosto e se despenhavam sobre o seu corpo nu, Adriana viu Zahra desaparecer pela porta do quarto. O som do bater da porta da rua confirmou que a violinista saíra da sua vida.
Zahra desceu as escadas em passo rápido. Na segurança da descida, deixou vir ao de cima a amargura que lhe ia na alma e as lágrimas brotaram para o seu rosto. Ela amava muito Adriana, mas esse amor era incompatível com os objectivos que tinha na vida. O seu coração estava despedaçado por abrir mão da mulher que amava, mas era melhor assim.
Fim do capítulo

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