DANÇANDO NO VIOLINO · Capítulo 19

Capítulo XIX

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O bailado durou mais de duas horas com direito a um intervalo a meio.
José não partilhou com Zahra o tédio que fora para si assistir àquilo. Nunca gostara de bailado e só fora pela possibilidade de observar Adriana num fato justo de ballet durante duas horas sem se preocupar que reparassem nisso. Ao invés disso, ficara tão longe que mal percebera quem ela era.
Por seu lado, Zahra vinha encantada. E quando as cortinas baixaram pela última vez, ela traçou vários elogios a toda a peça.
— Temos de ir aos bastidores cumprimentá-la! — sugeriu ela.
José concordou.
— Seria uma deselegância não o fazer, quando ela nos foi cumprimentar a nós no nosso concerto.

Não muito longe, Leonardo e Matilde abandonaram os seus lugares e seguiram os restantes espectadores para a saída da sala.
— Queres ir cumprimentá-la? — perguntou Matilde.
— Não.
— É tua amiga. Não queres ir dar-lhe os parabéns pelo sucesso desta noite?
— Não.
Matilde não insistiu. Porém, agradava-lhe a ideia de que ele não quisesse ir ver aquela amiga que sempre lhe parecera especial para ele.
Leonardo passou pelo balcão onde levantara os bilhetes e pediu à funcionária se lhe fazia o favor de entregar um dos bilhetes à bailarina sua amiga.
— Se quiser, pode ir lá dentro cumprimentá-la. — informou a senhora com simpatia.
— Não vale a pena. — recusou ele, escrevendo algo nas costas do bilhete.
A senhora recebeu o papel e Leonardo agradeceu a disponibilidade da senhora para o fazer chegar a Adriana. Escrevera “Obrigado pelo bilhete, Adriana. Parabéns pelo sucesso da estreia. Beijinhos e sê feliz como mereces”.
Lá fora, a noite estava amena com a brisa vinda do rio a soprar com tranquilidade. As pessoas que assistiram ao bailado começaram a abandonar o teatro, afastando-se em todas as direcções.
Leonardo e Matilde caminharam pelo passeio até ao lugar onde o carro dele ficara estacionado.
— Não sou fã, mas gostei. — confessou Matilde.
— Eu sempre gostei de bailado. E, claro, desde que conheço a Adriana ainda me tornei mais fã. — Olhou para Matilde. — Ainda bem que gostaste. E mais uma vez obrigado por teres aceitado o convite.
Matilde sorriu e retribuiu:
— Eu é que agradeço teres-me convidado.
Chegados ao automóvel, cada um reocupou o seu lugar. Leonardo ligou a ignição.
— Queres tomar um copo ou queres que te leve já para casa?
— As duas coisas, se não te importares, Leo.
— Como assim?
— Vem tomar um copo a minha casa. — convidou ela num tom terno, nada habitual na ríspida Matilde Leão.
Leonardo concordou.
A viagem de carro não foi longa.
Até entrarem no apartamento dela, trocaram comentários irrelevantes e sorriram várias vezes um para o outro. Lá dentro, seguiram para a sala.
Por estranho que pudesse parecer, não voltaram a beijar-se. Parecia que, de um momento para o outro, ambos se intimidaram em trocar esse tipo de carinhos.
Leonardo sentou-se e ficou a observar Matilde que largara o casaco na entrada e desfilava pela sala até ao bar. O vestido escuro sem costas com a saia de bainha diagonal parecia ter sido feito para ela, pois assentava-lhe que nem uma luva e atribuía-lhe muita sensualidade.
— Um Porto?
— Tens Bailey’s?
Matilde olhou para o bar e abanou a cabeça.
— Pode ser o Porto.
Matilde serviu um segundo cálice de Porto e encurtou a distância entre eles, sentando-se no sofá a seu lado.
— Trabalhas amanhã? — perguntou ele, recebendo o cálice.
— Não. Só no Domingo.
Matilde já iniciara as funções de apresentadora do noticiário do novo canal televisivo por cabo que a contratara.
— Tenho-te visto. — confessou ele. — Continuas feroz nas entrevistas.
— Continuo feroz em tudo. — corrigiu ela. Ofereceu-lhe um sorriso terno e sincero. — Pensas que todos têm o privilégio de conhecer esta Matilde que está aqui contigo?
— Sei que não.
Matilde pousou o seu cálice e acariciou o pescoço, dizendo:
— Tem sido cansativo. Então hoje, estou com uma dor nas costas que nem imaginas.
— E eu ainda te faço ir ver bailados…
Ela voltou a sorrir-lhe.
— Não o digas como se tivesse sido um sacrifício. Não foi. Além disso, foi bom voltar a estar contigo. E foi muito bom a forma como a nossa relação se desenvolveu esta noite. — O seu rosto adoptou um semblante provocador. — Mas, não me importo que me faças uma massagem, se isso te fizer sentir menos culpado.
— Acabaste de dizer que não foi nenhum sacrifício. — retorquiu ele, usando um mesmo tom dela.
— E não foi. Era só uma desculpa para ter uma massagem nas costas.
Leonardo sentou-se mais para trás no sofá e abriu as pernas, apontando para o espaço vazio entre elas.
— Anda. Senta-te aqui. Vou tentar dar o meu melhor, já que não sou massagista profissional.
Matilde aceitou a sugestão, deixando escapar um semblante vitorioso. Sentou-se entre as pernas dele, muito direita. Leonardo ficou com as costas nuas em frente a si.
— Relaxa. — pediu, começando a massajar-lhe os ombros. Sentiu o doce aroma do perfume dela. — Estás mesmo tensa.
Matilde correspondia ao toque dele com pequenos gemidos de agrado e outros de dor, quando ele usava mais força para lhe relaxar os músculos.
As mãos dele afastaram-lhe o cabelo para a frente e foram deslizando pelas costas, esfregando a pele com ternura, pressionando as zonas mais atacadas, conforme ela lhe ia indicando. Voltou mais um pouco aos ombros, mas tornou a descer e foi descendo até Matilde se inclinar para a frente e ele lhe acariciar o fundo das costas.
Leonardo viu o tecido do vestido, à frente, descair, mas sem revelar nada daquilo que tapava. Sentiu-se tentado a enfiar as mãos lá dentro. Porém, não avançou mais que umas carícias nos flancos. No entanto, nesse momento em que sentiu as mãos dele meio dentro do vestido, Matilde encostou-se para trás, colando as costas ao peito dele e deitando a cabeça no ombro de Leonardo.
Sem saber muito bem o que fazer, pensou em parar.
— Não pares! — pediu ela de olhos fechados, percebendo que as mãos dele se afastavam.
Leonardo voltou a massajar-lhe a zona lateral, abaixo dos braços que ela abrira ligeiramente.
— E dizes tu que não sabes massajar.
Leonardo soltou uma ténue risada. Sentia-se nervoso, temendo que a excitação do momento fosse sentida por ela, pois estava sentada entre as suas pernas.
— Podes massajar-me a barriga? — pediu Matilde sempre de olhos fechados e cabeça deitada para trás. Leonardo concordou, retirando as mãos da zona que massajava para ir para a barriga. — Não, Leo. Por dentro do vestido.
Leonardo voltou a entrar com as mãos pelas laterais do vestido sem costas. Sentiu a pele macia da barriga, tão macia quanto toda a restante que acariciava, e continuou a massagem, obtendo a correspondência do agrado dela em pequenos gemidos. Tocou-lhe o umbigo e ela estremeceu ligeiramente.
Ao fim de alguns momentos de carícias, Matilde levantou os braços e atirou-os para trás. Num sussurro ofegante, pediu:
— Massaja-me os seios.
O pedido surpreendeu Leonardo, mas isso não o fez desistir da massagem. Matilde sentiu as mãos carinhosas dele subirem vagarosamente por baixo do vestido e tocarem-lhe os seios. Primeiro, um toque quase a medo, sentindo a parte inferior do peito. Depois, cada mão segurou o respectivo seio como se pegassem em duas meloas bem maduras. Por fim, a massagem suave que se prolongou por algum tempo até Matilde lhe agarrar as mãos por cima do vestido, apertando-as para que as dele lhe apertassem o peito. Sentia uma excitação enorme e sabia que ele também estava excitado.
Subitamente parou. Mais uma vez, ele ficou surpreso com a reacção. Matilde levantou-se, o que fez Leonardo largar-lhe o peito e retirar as mãos do interior do vestido.
A jornalista pegou nos dois cálices e pousou-os no bar. A seguir, voltou para junto dele, sorrindo-lhe num jeito provocador.
— Obrigado pela massagem, foste muito carinhoso.
Leonardo não se pronunciou, limitando-se a anuir. A excitação queimava-o por dentro, mas a atitude de Matilde deixava-o confuso. No entanto, não teve muito tempo para pensar nisso, pois no regresso, Matilde sentou-se no colo dele e beijou-o na boca.
O beijo foi prolongado e profundo com as línguas a dançarem e a saliva a misturar-se no sabor da paixão. Foi como se uma atracção profunda entre eles tivesse sido libertada e estivesse naquele instante completamente fora de controlo.
Mais uma vez, o momento foi quebrado por ela. Olhando-o sedenta dele, Matilde levantou-se do seu colo e estendeu-lhe a mão, convidando:
— Vem!
Segurando a mão que lhe oferecera, Leonardo deixou-se conduzir por ela pela casa. Entraram num quarto escuro, onde ela acendeu um cadeeiro e ele viu a mobília moderna composta por uma cama de cabeceira longa e dois móveis que completavam a arrumação do roupeiro embutido numa das paredes.
Matilde encostou-o à parede no espaço entre a porta do quarto e as portas do roupeiro, apertando-o com o seu corpo e voltando a explorar-lhe a boca com a língua.
Leonardo agarrou-a pelas nádegas, puxando-a para si, enquanto as mãos dela procuravam os botões das calças, os quais ela desapertou.
Assim que confirmou o desejo que ele sentia por ela, retirou-lhe as mãos do seu rabo e afastou-se até à cama.
Com as calças abertas, Leonardo viu-a puxar uma almofada escondida pela colcha da cama e atirá-la para os pés dele. A seguir, ajoelhou-lhe na almofada. Matilde desejava aquilo tanto ou mais que Leonardo, por isso, agarrou nas bordas das calças e dos boxers dele e fê los deslizar até aos pés.
Leonardo sabia o que se seguiria. Parecia demasiado bom para ser real. Só que estava mesmo a ser real. Colocou as mãos atrás da cabeça e viu o olhar habitualmente frio de Matilde observá-lo com calor e paixão.
Ela, excitada, começou a acariciar a excitação dele com ternura. Depois, foram os beijos para espicaçar e a língua para o saborear. Beijou à volta e lambeu de alto a baixo, sem nunca deixar de o acariciar.
Nunca em momento algum, Leonardo imaginou que Matilde pudesse ser tão fogosa. E quando ela o recebeu na sua boca, ele fechou os olhos para apreciar cada alfinetada de prazer.
As mãos e a boca de Matilde laboraram afincadamente nele, deixando Leonardo mergulhado em ondas de prazer que se multiplicavam em vagas ritmadas por ela.
As sensações deliciosas espalharam-se pelo corpo aproximando-o do auge. Leonardo sentiu que tinha de a avisar.
— Estou quase a vir-me. — alertou numa voz ofegante de êxtase.
Matilde pareceu nem o ouvir, pois manteve o ritmo.
Leonardo tentou controlar-se e ia a repetir o aviso, quando ela se antecipou e, sem parar a massagem, o retirou da boca e sussurrou:
— Não te preocupes. Relaxa.
E continuou.
Estava a ser tão bom que Leonardo tentou aguentar o mais que pode, deixando que o corpo absorvesse as ondas de prazer pelo que ela lhe estava a fazer.
O orgasmo atingiu-o como um maremoto, fazendo-o soltar um gemido rouco e todo o seu corpo se contorceu em espasmos de loucura sexual.
Matilde teve uma reacção ténue pela chegada do orgasmo à sua boca, mas continuou a saboreá-lo, abrandando aos poucos o ritmo até parar.
De olhos fechados para que nenhuma sensação se perdesse sem ser devidamente apreciada, Leonardo sentiu a boca libertá-lo, permanecendo uma massagem carinhosa que também findou. Ao abrir os olhos, já Matilde se levantara e se afastara para a casa de banho. Ouviu a água a correr e deixou-se cair de joelhos sobre a almofada no chão, completamente arrasado pelo orgasmo brutal que ela lhe oferecera.
Sozinho no quarto, levantou-se e recompôs a roupa. Não sabia o que haveria de esperar dos minutos seguintes, mas considerou não o fazer com as calças pelos tornozelos.
Ao apertar o fecho, sentiu a porta da casa de banho abrir.
Matilde saiu ao seu encontro de forma surpreendente, pois deixara o vestido para trás e apresentava-se somente com as cuecas pretas. O seu braço esquerdo envolvia o peito, escondendo os seios, enquanto o direito vinha livre para tocar o rosto de Leonardo quando se aproximou.
— Queres passar cá a noite? — convidou ela com a voz sussurrante a arder de desejo. — Queres dormir comigo?
Leonardo sorriu e abraçou-a.
— Dormir?
Sempre com o braço a esconder os seios, Matilde franziu o rosto e retorquiu:
— Também. Mas antes gostava de fazer amor contigo.
Leonardo apertou-a nos braços e ela enrolou os seus ao pescoço dele, oferecendo-lhe a visão curvilínea do seu peito. Trocaram um beijo apaixonado e fogoso, tendo Leonardo parado para dizer:
— Espera! Preciso de ir ali.
Matilde soltou o abraço e viu-o desaparecer pela porta da casa de banho.
Lá dentro, Leonardo procurou no bolso das calças um preservativo. Encontrou-o na carteira, pois vinha sempre um no compartimento atrás dos cartões do multibanco.
Despiu a roupa e ficou só com os boxers. Ao sair da casa de banho, encontrou Matilde deitada atravessada na cama, já sem as cuecas, com as pernas cruzadas e a brincar com os mamilos. Os seus olhares lânguidos encontraram-se e anunciaram o que pretendiam.
Com o pé, Leonardo puxou a almofada no chão até á beira da cama. Deixou o preservativo preso no elástico dos boxers e ajoelhou-se aos pés dela.
Matilde observava-o curiosa sem dizer nada. Viu-o de joelhos a começar a acariciar-lhe as pernas, beijando-as e afastando-as. Ela tentou sentar-se, mas ele impediu-a, empurrando-a com ternura contra o colchão. Sem resistir, deixou-se ficar a olhar o tecto, enquanto as mãos dele lhe acariciavam as coxas e a começavam a tocar nas zonas mais sensíveis. Constatou que ele sabia bem onde tocar.
Depois… Depois vieram os beijos pelas pernas. Matilde já estava húmida só do toque dos dedos. Delirou quando os beijos se transformaram na investida voraz de uma língua a acarinhar os seus lábios mais íntimos.
O prazer fê-la contorcer-se na cama, apertando a cabeça de Leonardo entre as suas pernas e puxando-lhe o cabelo, gemendo ofegante e pedindo que ele não parasse.
Seria difícil dizer qual dos orgasmos foi mais avassalador. Quando se veio, Matilde enrolou-se em si própria, perante o olhar vitorioso de Leonardo. Recuperando aos poucos, ela olhou-o com um desejo insaciável e exigiu:
— Quero-te dentro de mim!
Leonardo puxou os boxers até aos pés, fazendo saltar a embalagem prateada presa no elástico. Apanhou-o do chão.
— Vejo que vinhas prevenido. — constatou ela com astúcia, endireitando-se no colchão.
— Ando sempre prevenido. — confessou ele, rasgando a prata. — Mas confesso que nunca pensei que isto viesse a acontecer esta noite.
Matilde sorriu. O seu corpo era um convite.
Leonardo terminou a tarefa com a pequena borracha e entrou na cama para se deitar sobre Matilde com ternura e começar a beijá-la. Estavam ambos tão excitados que ele entrou nela mal a pressionou contra o colchão.
Matilde enrolou as pernas à volta da cintura dele e deixou que ele lhe prendesse as mãos acima da cabeça, imobilizando-a e aumentado aos poucos as investidas do seu corpo contra o dela.
Leonardo manteve as mãos dela presas com a sua, permitindo à outra mão apertar-lhe os seios. Os lábios de ambos esmagaram-se com a paixão e Matilde gemia num tom que parecia enraivecido, delirante com os movimentos dele dentro de si.
Louca de prazer, Matilde soltou-se e empurrou Leonardo para trás, exigindo uma troca de posições. Ele passou para baixo, deixando-a cavalgar sobre ele. Instigou-o a apertar-lhe os seios erectos, empurrando o contra o colchão. Ele apertou-os de tal forma que parecia que os ia rebentar, mas era mesmo isso que ela queria, que ele os apertasse com força.
Os corpos de ambos quase escorregavam com o suor provocado pela intensidade sexual. Matilde saltava cada vez mais sobre a cintura de Leonardo, procurando uma penetração cada vez mais profunda.
Toda a ferocidade do momento atenuou quando ambos explodiram num orgasmo brutal. Completamente arrasada, Matilde deixou-se cair sobre Leonardo, extasiada pelos espasmos resultantes do orgasmo.
Abraçados, ficaram a beijar-se na cama completamente encantados um pelo outro.
Fim do capítulo

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