DANÇANDO NO VIOLINO · Capítulo 2

Capítulo II

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Os músicos da orquestra estavam todos de pé, fazendo vénias de agradecimento à tremenda ovação do público na plateia e camarotes. Leonardo e Adriana não fugiam à regra e aplaudiram com agrado o maravilhoso desempenho.
De pé, ao lado do amigo, Adriana aplaudia com os olhos na solista do violino. Zahra Yamanova fora talvez a pessoa que mais a magoara na vida, mas fora também a sua melhor amiga e sua amante. Talvez o sensato fosse abandonar o Centro Cultural de Belém e voltar a atirar a violinista para o baú das memórias, só que Adriana nunca fora racional e agia por impulso.
— Gostava de ir aos bastidores. — disse ela, olhando para Leonardo.
O pano desceu e os músicos desapareceram, tendo a iluminação da sala aumentado. Leonardo concordou com naturalidade.
Adriana não fazia ideia de como Zahra, que anos antes lhe pedira para se afastar dela, iria reagir a um reencontro. Porém, mesmo tendo sido maus os últimos momentos partilhados, os quatro anos de feliz convivência diária mereciam uma oportunidade de reatar a amizade.
As pessoas iam abandonando a sala, quando Adriana voltou a vestir o casaco e deu o braço a Leonardo. Deixaram o camarote e seguiram pelo corredor.
— Espero que tenhas gostado. — indagou Leonardo.
— Adorei, Leo! Foste um amor.
— Queres ir cumprimentar a tua amiga?
— Sim… — confirmou hesitante. — Não a vejo há muito tempo. Nem sei se me reconhecerá.
Adriana sabia bem que Zahra a iria reconhecer. O seu receio era que a outra se recusasse a falar-lhe.
O casal caminhou pelo edifício procurando o acesso à zona dos artistas, aos bastidores. Havia seguranças a guardar a entrada, mas não existia um aparato de segurança como se fossem vedetas internacionais. E quando Leonardo interpelou um deles e pediu se seria possível cumprimentar a solista, o outro permitiu-lhes a passagem e indicou um colega para os acompanhar.
Nos bastidores, o burburinho das vozes dos vários artistas misturava-se numa cacofonia quase imperceptivel, até porque no grupo havia artistas das mais diversas nacionalidades. O segurança que os conduziu apontou para um grupo mais ao fundo.
— Zahra! — chamou Adriana impulsiva.
Yamanova olhou para ver quem dissera o seu nome e reconheceu-a.
— Adriana?
A bailarina assentiu e aproximou-se. Leonardo deixou-se ficar junto do segurança. As duas cumprimentaram-se, beijando a face uma da outra.
Quando o segurança se afastou, Leonardo permaneceu encostado à parede a observá-las.
Zahra Yamanova era mais baixa que Adriana e igualmente elegante com o seu vestido negro comprido. O cabelo encaracolado ruivo caia-lhe sobre os ombros nus e emolduravam um rosto pálido de feições juvenis que a fariam passar facilmente por adolescente. Fisicamente parecia demasiado magra, sobressaindo o peito dotado pela generosidade da natureza.
Donde estava, Leonardo reparou no olhar da violinista a falar com Adriana, um olhar que denotava um misto de alegria e incómodo.
— Há quanto tempo… — recordou Adriana.
— Sim. — confirmou Zahra. — Talvez uns…
— Sete anos.
Até parecia que nada tinha acontecido entre elas, nem se tinham separado de forma tão dolorosa, pelo menos, para Adriana.
— Sabias que eu ia tocar?
— Não. Foi um mero acaso. O… — Adriana fez uma pausa, procurando Leonardo com o olhar. Fez-lhe sinal para que se aproximasse. — Este é o Leonardo. Foi ele que me convidou a vir.
Zahra estendeu-lhe a mão para o cumprimentar, interrogando:
— E gostaram?
— Sim. Muito! — afirmou Adriana que não disfarçava o olhar embevecido.
Nesse instante, Zahra viu alguém a passar e chamou:
— José!
Um homem alto de fato formal, como todos os membros da orquestra, olhou para ela e modificou a sua direcção, aproximando-se.
Leonardo reconheceu-o como sendo o pianista.
— Este é o José Norton Vila. — Sorriu para Adriana. — É o meu noivo.
O “meu noivo” fora atirado a Adriana como “noivo, homem, gosto de homens, não sou lésbica”.
Adriana apertou a mão que ele lhe estendera, ouvindo Zahra apresentá-la:
— É a Adriana, uma antiga colega de escola. E o namorado.
Ser apresentada como “antiga colega de escola” magoou Adriana. Porém, não se pronunciou sobre isso. Encarou o olhar de Zahra e ripostou:
— O Leonardo é um grande amigo. Tu sabes que eu não sou de namorados, Zahra.
A frase foi entendida pelo noivo de uma forma que o fez ver Adriana como uma mulher de espírito liberal e relacionamentos ocasionais a roçar a leviandade. No entanto, Zahra percebeu o real contexto da mensagem: Não sou de namorados, sou de namoradas, continuo a ser lésbica.
— Você é o pianista, não é? — reconheceu Leonardo, ao apertar lhe a mão.
O outro confirmou com orgulho.
José Norton Vila tinha trinta e dois anos e era ainda mais alto que Leonardo. Não tinha uma fisionomia bonita, andava sempre com o cabelo espetado despenteado e quase parecia questionável o que veria Zahra nele, pois aparentemente não tinham nada em comum, para além da ligação à música.
— Vais casar? — retomou Adriana.
— Sim, dentro de uns seis meses. — respondeu o pianista com simpatia.
Zahra sorriu orgulhosa e deu o braço ao noivo, procurando revelar o afecto que os unia.
— E tu, Adriana? — questionou Zahra, procurando atemorizar a outra com o assunto, tentando pressioná-la a enfrentar assuntos como relações ou casamentos.
Adriana nem percebeu e a resposta foi natural:
— Eu sou bailarina.
— Bailarina? — interrogou Norton Vila com genuíno interesse.
— Sim. — confirmou Adriana. — Na Companhia Nacional de Bailado.
O pianista mostrou-se impressionado com a informação.
— Foram colegas de escola? — continuou ele. — Já não se veem há muito tempo.
— Também não somos assim tão velhas, querido. — repreendeu Zahra.
— Não quis dizer isso. — retorquiu o noivo. — Estou a pensar que devem ter muita conversa para pôr em dia.
— Sim. — confirmou Adriana.
— Nem por isso! — exclamou Zahra em simultâneo.
Norton Vila ignorou as duas e sugeriu:
— Podíamos combinar e vocês iam lá a casa jantar, uma noite destas.
O convite fora lançado a Adriana e Leonardo.
No rosto de Zahra ficou bem patente o incómodo provocado pela sugestão, mas esforçou um ar de interesse e concordou com o noivo.
Adriana percebeu a reacção de Zahra.
— Sim, depois combinamos. — A forma pouco concreta como a bailarina respondera descansou Zahra, pois denotou que isso dificilmente iria acontecer. Porém, a frase seguinte apanhou-a de surpresa. — Talvez me possas dar o teu número para eu te ligar.
— Bem pensado. — concordou o pianista, reparando noutras pessoas que haviam entrado.
A contragosto, Zahra ditou o seu número de telemóvel a Adriana. E nem poderia dar um número errado, pois o seu noivo iria ouvir e acharia estranho que ela o fizesse ou, ainda pior, emendá-la-ia perante a outra.
Adriana retribuiu, entregando-lhe um pedaço de papel com o seu.
A conversa não se prolongou mais, uma vez que José Norton Vila avisou a noiva que teriam de ir cumprimentar outras pessoas. Os quatro despediram-se com a mesma distância com que se haviam cumprimentado.
O silêncio imperou durante o percurso até ao carro.
Leonardo percebeu de imediato o ar afectado de Adriana desde que revira Zahra. E o reencontro ainda a deixara mais introspectiva. No entanto, optou por não abordar o assunto, receando que isso pudesse acentuar ainda mais o que perturbava a amiga.
Durante a viagem, Adriana falou sobre o concerto. Primeiro para repetir o agradecimento pela iniciativa dele e depois para recordar alguns momentos musicais.
O percurso pelas ruas de Lisboa até à casa de Adriana demorou pouco tempo, pois àquela hora o trânsito era quase nulo. A bailarina vivia num pequeno apartamento no último andar num prédio antigo na rua Bernardim Ribeiro. Por sorte, Leonardo conseguiu lugar a menos de trinta metros da porta, o que não era fácil, pois o estacionamento por ali era caótico.
Lado a lado, subiram os cinco pisos de escadas em absoluto silêncio, fazendo ecoar os seus passos no soalho envelhecido.
Ao abrir a porta de casa, o casal entrou logo para a humilde sala que ficava logo após a entrada. Não havia corredor ou átrio a separar aquela zona. A sala deveria ter uns dez ou doze metros quadrados e tinha dois sofás de frente um para o outro. Um estava encostado à parede exterior do apartamento, enquanto o outro tinha atrás um balcão que separava a sala da cozinha.
As paredes eram beges e contrastavam com os azulejos gastos pelo tempo da cozinha. A sala acabava por ser o núcleo da casa, pois tinha um arco de acesso à cozinha e duas portas, uma para a casa de banho e outra para o quarto. Esta era a totalidade do apartamento de Adriana.
Leonardo sentou-se num dos sofás, tendo Adriana escolhido o oposto. Suspirou, quando se deixou cair nas almofadas fofas.
— Estás bem? — indagou Leonardo. Adriana não respondeu de imediato. — Estás diferente, desde que reconheceste a tua amiga.
— Sei que sim, Leo. Mas, prefiro não falar nisso.
— Tudo bem.
Sentada no seu lugar, Adriana olhou para o amigo e abanou a cabeça com um semblante triste.
— Não estou com cabeça para o que te prometi. — lamentou.
— Que foi que me prometeste? — interrogou ele, mesmo percebendo ao que ela se referia.
— Não estou com cabeça para fazermos sexo, esta noite.
A frase confirmou a suspeita de Leonardo.
Adriana calculou como ele se deveria sentir frustrado nos planos que tinha para aquela noite. Ponderou uma qualquer promessa futura, mas seria absurdo, pois a relação deles nunca se baseara em promessas ou cobranças, apenas numa conjunção de interesses paralelos.
— Não te preocupes. — descansou Leonardo, antes que ela dissesse algo. — Seja o que for que tenha acontecido entre ti e a violinista, dá para perceber que foi importante ao ponto de te deixar assim. Por mim, não há problema.
— Obrigado por compreenderes, Leo.
Perante o estado de espírito dela, Leonardo sentiu-se obrigado a levantar a questão seguinte:
— Queres que me vá embora?
— Compreendo se o quiseres fazer. — respondeu sem perder a tristeza. — Mas, eu preferia que ficasses a fazer-me companhia.
Leonardo levantou-se do seu lugar e foi sentar-se a seu lado, abraçando-a e dizendo:
— Jamais te deixaria só, a menos que fosse essa a tua vontade.
Adriana encostou a cabeça no ombro dele.
— Lamento frustrar as tuas expectativas!
— Cala-te! — ordenou com ternura. — Tu nunca me frustras em nada. Percebo que hoje precises só de um amigo.
Adriana soltou-se do abraço e levantou-se do sofá.
— Estou cansada. Vamos dormir?
— Sim. — concordou ele. — Eu posso ficar no sofá.
— Não. — recusou ela. — Dorme comigo na cama. — Esboçou um sorriso que nada teve de provocador, apenas uma mistura de cansaço e carinho. — Sei que controlarás os teus impulsos sexuais.
Não era fácil controlar o desejo, estando deitado na mesma cama que Adriana, mas Leonardo sabia que quando a amiga estava assim deprimida, de nada serviria fazer uma investida entre os lençóis.
Enquanto Adriana foi para a casa de banho, Leonardo entrou no quarto. A casa não era muito grande e ele conhecia todos os cantos como se lá vivesse. Nem a cama lhe era estranha, pois já lá dormira com a amiga diversas vezes.
Fosse Inverno ou Verão, ele tinha por hábito dormir todo nu. Sozinho no quarto, despiu toda a roupa e enfiou-se no interior dos lençóis. Alguns minutos depois, Adriana entrou no quarto, já sem a roupa com que chegara e que substituíra pela que usava para dormir, uma camisola interior justa e as cuecas.
— Não te importas que durma nu, pois não?
— Sabes bem que não, Leo. — confirmou ela, entrando nos lençóis. Sentou-se na cama, apanhou o cabelo longo com um elástico. Deitou-se e deu um beijo nos lábios dele. — Dorme bem, Leo!
— Dorme bem, Adriana!
Com a cabeça no braço do amigo, Adriana adormeceu ainda antes dele.

Na manhã seguinte, o Sol invadiu o quarto com a sua luminosidade matinal. O brilho entrou pela janela sem contemplações, fazendo ricochete no espelho colocado sobre um armário de gavetas.
Adriana abriu os olhos, meio estremunhada pela intensidade de luz. Olhou para o lado e viu Leonardo a dormir profundamente. O sono fora tranquilo, mas o acordar trouxera-lhe novamente ao pensamento o reencontro com Zahra. Não tivera a pretensão que a ex-amiga e ex amante a recebesse com grande emoção, mas não esperava ser colocada ao nível de “antiga colega de escola”. Para além disso, Adriana recriminava-se por se sentir tão abalada por Zahra surgir novamente na sua vida e lamentava interiormente que o seu coração ignorasse a razão e a atormentasse com a paixão que sempre nutrira pela outra. Talvez tivesse pensado que o reencontro lhe revelasse que os sentimentos estavam ultrapassados, porém esse acontecimento só serviu para trazer ao de cima todo o desejo que sentia por ela. E vê-la sete anos mais tarde, menos rapariga e mais mulher, só serviu para deixar Adriana novamente apaixonada por Zahra.
Sem se levantar, pegou no telemóvel para ver as horas. Ainda era cedo, só que o sono já partira. Afastou o lençol com cuidado para não acordar o amigo e levantou-se da cama. Caminhou como se fosse uma pluma e abriu a porta do quarto quase sem fazer barulho. Atravessou a sala já com menos cuidado e entrou na casa de banho.
Ao fechar a porta, olhou-se ao espelho. Ponderou que se fosse homem, Zahra não resistiria aos seus sentimentos. Só que era mulher e tinha prazer e orgulho em sê-lo. O facto de gostar de mulheres não a levava a desprezar a sua feminidade.
Levantou a tampa da sanita, baixou as cuecas até aos joelhos e sentou-se. O silêncio foi interrompido pelo som do seu alívio. Ali sentada, abandonou momentaneamente a imagem de Zahra para pensar em Leonardo. Tinha consciência de como deveria ter sido difícil para ele dormir com ela sem que ela lhe saciasse o desejo. Deveria estar frustrado, mas nem por um momento tentou o que quer que fosse, nem quando ela se enroscou no corpo dele, procurando carinho.
De forma automática, puxou umas folhas do rolo de papel higiénico e limpou-se. Antes de se levantar, fez as cuecas deslizar até aos pés e desfez-se delas, atirando-as para o cesto da roupa suja. Levantou-se e rodou o botão do autoclismo, ecoando pelo espaço o ruído da descarga.
Antes de sair da casa de banho, tornou a olhar-se ao espelho. Puxou o elástico que lhe prendia o cabelo e soltou-o para que se movesse livremente.
Num ritmo decidido, atravessou de novo a sala e entrou no quarto. Leonardo permanecia em sono profundo. Encostou a porta e encurtou a distância até à cama. Sem tirar os olhos dele, puxou a camisola interior e despiu-a pela cabeça. Completamente nua, Adriana reentrou na cama e deitou-se ao lado dele.
Não fora justa com ele, dizia a si mesma, e não permitiria que o dia começasse sem corrigir a injustiça, ainda para mais, tendo ele sido tão impecável com ela.
A sua mão deslizou pelo peito dele, acariciando os músculos. O seu tronco parecia um rochedo, fruto do gosto pela actividade física e pelo treino que resulta de carregar constantemente uma câmara de filmar ao ombro.
A mão de Adriana continuou a deslizar pelo corpo de Leonardo, afagando-lhe a barriga. Aquele homem tinha um corpo magnífico e bem delineado. As carícias foram descendo e os dedos descobriram aquilo que procuravam desde o início.
Adriana não tirava os olhos do rosto adormecido de Leonardo, mas a sua concentração estava lá em baixo, na mão que acariciava o membro dele. Leonardo ameaçou acordar, mas o que reagiu nele foi a rigidez que se intensificara entre os dedos de Adriana.
Nesse momento, a bailarina rodou para cima do amigo adormecido, ficando em cima do corpo dele, consciente da erecção pressionada entre a barriga dela e a cintura dele.
Sem abrir os olhos, Leonardo sorriu.
Adriana deslizou para cima, alcançando os lábios dele com os seus. O movimento soltara o membro aprisionado.
Leonardo retribuiu o beijo e agarrou com vigor as nádegas de Adriana, puxando-a para a posição anterior. Desta vez o membro não ficou aprisionado entre eles, pois a bailarina recebeu-o dentro de si com uma sensação invulgar de prazer, aquela sensação boa que por mais prazer que lhe desse, lhe iria parecer sempre bizarra e contra a sua natureza homossexual.
Por alguns momentos, Adriana moveu-se suavemente sobre ele, olhando-o nos olhos e beijando-lhe os lábios. Não aumentou o ritmo para que cada instante fosse saboreado com calma.
— Tens preservativos? — questionou a bailarina sem alterar a cadência de movimento.
— Sim.— respondeu ele num sussurro. Andava sempre prevenido. — Na carteira.
Adriana parou e pressionou-se contra ele, provocando-o. A seguir, sorriu e começou a levantar-se, dizendo:
— Vai lá buscar.
Leonardo levantou-se da cama, enquanto Adriana se estendeu de barriga para cima no lado vago do colchão. Ficou a observá-lo a caminhar pelo quarto com a erecção imponente e ir buscar o preservativo à carteira. Logo ali, rasgou a embalagem e retirou a borracha redonda que desenrolou ao longo do pénis.
Ao regressar à cama, Leonardo deitou-se sobre a bailarina, trazendo o lençol e o cobertor consigo para proteger ambos do frio que não tinham. Adriana tornou a recebê-lo dentro de si.
O primeiro ritmo foi calmo, ternurento, carinhoso. Ela sentia-o e o prazer fluía pelo seu corpo. Sem ser com ele, só duas vezes fizera sexo com homens e ambas tinham sido para esquecer. No entanto, Leonardo conseguia proporcionar-lhe sensações extasiantes.
Os movimentos tornaram-se mais intensos, as bocas chocavam ao mesmo tempo que ele entrava e quase saia. As mãos dela arranhavam-lhe as costas e apertavam-lhe as nádegas, enquanto as dele lhe amassavam os seios. Aquilo era tão bom que as suas satisfações se fizeram ouvir, gemendo um para o outro. Quando Adriana atingiu o orgasmo, a sensação repetiu-se mais duas vezes até ele se vir dentro dela.
A paz regressou aos lençóis. Leonardo voltou ao seu lugar no colchão e Adriana deitou a sua cabeça no ombro dele.
— Desculpa, ontem! — pediu ela, olhando para o vazio.
Leonardo acariciou-lhe o cabelo e respondeu:
— Não há nada a desculpar. Percebi que não estavas bem.
— A noite de ontem foi uma surpresa. — continuou Adriana. Leonardo não disse nada, não forçando perguntas. — Nunca pensei voltar a ver a Zahra.
— Ela foi tua colega de escola? — interrogou ele, recordando o que a violinista dissera ao apresentá-la ao noivo.
— Foi muito mais que isso. — A frase da bailarina ficou no ar, mas nem assim ele questionou, aguardando que ela continuasse. — Conhecemo-nos quando eu tinha treze anos. Éramos muito amigas, inseparáveis mesmo.
— Notei que ficaste muito alterada por a rever.
— Sim, é verdade.
— Foi uma amiga especial?
— Fomos namoradas durante dois anos. — confessou finalmente. — Foi com ela que descobri a minha orientação sexual e foi com ela que perdi a virgindade. Fomos totalmente íntimas, fazíamos amor às escondidas das nossas famílias que nem imaginavam que isso acontecia quando passávamos a noite em casa uma da outra.
— Que aconteceu para se terem afastado? — questionou Leonardo. — Adriana não respondeu. — Se não quiseres, não tens de falar nisso.
— Não me importo de falar. Faz-me bem desabafar. — concluiu ela. — Uma tarde, tinha eu pouco mais de dezassete anos, telefonou-me a acabar tudo e a pedir que nunca mais falasse com ela.
— Nunca mais se viram, depois disso.
— Não. Nunca mais voltei a falar com ela, até ontem.
Leonardo apertou-a nos braços, reconfortando-a. O casal assim ficou ao longo de vários minutos sem trocarem mais nenhuma palavra.
O momento só foi interrompido pelo toque de mensagem no telemóvel de Adriana. Ela foi ver o conteúdo e Leonardo abandonou o colchão.
— É a confirmar a hora do ensaio, logo.
Leonardo assentiu com a cabeça e disse:
— Vou tomar um banho. Fazes-me companhia?
— Ainda vou ficar aqui mais um pouco.
Ele pegou na roupa e saiu do quarto.
Sozinha, Adriana viu o rosto de Zahra na sua mente. Parecia um vírus do qual se havia curado, mas que novamente exposta a deixara de novo doente, doente de amor por alguém que não a queria e para quem nada mais era que uma “antiga colega de escola”.
Ao fim de dez minutos, Leonardo regressou ao quarto, já arranjado e vestido. Atirou um sorriso à amiga e disse:
— Tenho de ir. Ficas bem?
— Sim.
— Adoro-te, linda!
— Eu a ti, querido.
A porta do quarto fechou-se e Adriana ouviu a porta do apartamento bater, quando ele saiu de casa.
Fim do capítulo

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